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A Homilia é parte da liturgia – 109

Na Audiência Geral de 7 de Fevereiro, a 9.ª que dedicou já à explicação das várias partes da Santa Missa, o Papa Francisco insistiu na importância da Homilia para que o Evangelho, em que Cristo é sempre o centro, possa fazer ressoar a sua eficaz palavra. No Evangelho, é Cristo que nos fala. Por isso, devemos estar especialmente atentos, como o sugerem os gestos com que acolhemos a sua proclamação e a ela respondemos. Baste pensar que começamos por o aclamar e escutar de pé, já que nele se dá um colóquio directo: é o próprio Senhor que nos fala. «Na Missa, não se lê o Evangelho para saber como decorreram as coisas. Escutamos o Evangelho pata tomar consciência daquilo que Jesus fez e disse outrora. E aquela Palavra é viva. Sim, a palavra de Jesus que está no Evangelho é viva e quer chegar ao meu coração. Por isso é que é tão importante escutar o Evangelho, com um coração aberto, porque é Palavra viva». Francisco cita santo Agostinho: “... a boca de Cristo é o Evangelho. Ele reina no céu, mas não cessa de falar na terra”. Por isso, se é verdade que, na liturgia, Cristo anuncia ainda o Evangelho, segue-se que, participando na Missa, devemos dar-lhe uma resposta. «Nós escutamos o evangelho e devemos dar-lhe uma resposta na nossa vida». Para que a sua mensagem chegue às pessoas, Cristo serve-se também da palavra do sacerdote que, depois do Evangelho, profere a homilia, como tão vivamente foi recomendado pelo Vaticano II, enfatizando que ela faz parte da própria liturgia. «A homilia não é um discurso de circunstância – nem sequer uma catequese como aquela que estou a fazer agora, disse o Papa –; nem é uma conferência, muito menos uma lição. A homilia é uma outra coisa: “é um retomar aquele diálogo que já foi aberto pelo Senhor entre Ele e o seu povo, a fim de ter realização na vida”. Porque a verdadeira exegese do evangelho é a nossa vida, se for uma vida santa. A Palavra do Senhor termina o seu curso fazendo-se carne em nós, traduzindo-se em obras, como aconteceu com Maria e os santos... A Palavra do Senhor entra pelos ouvidos, chega ao coração e chega às mãos, realizando as boas obras». A homilia deve seguir também este percurso para nos ajudar, a fim que a Palavra do Senhor chegue às nossas mãos, passando pelo coração. Assim entendida a homilia, os que a proferem: sacerdotes, diáconos, bispos, devem esforçar-se ao máximo para que ela seja um serviço a todos quantos participam na missa, embora estes também devam fazer a sua parte, antes de mais prestando a devida atenção, assumindo as disposições interiores mais ajustadas, não esperando apenas a satisfação das próprias pretensões e não exigindo a perfeição, pois todo o pregador tem as suas limitações. Que não sejam os preconceitos a barrar a escuta da Palavra do pregador, que deve sempre ter plena consciência de que não está a fazer uma coisa que depende apenas de si, mas está a pregar, a dar voz a Jesus, está a pregar a palavra de Jesus. Naturalmente que a homilia deve ser bem preparada e deve ser breve. A homilia prepara-se com a oração, com o estudo da Palavra de Deus e fazendo uma síntese clara e breve, que, quanto possível, não ultrapasse os 10 minutos. James Mallon, na obra já citada em textos anteriores sobre a renovação das paróquias, aborda este tema como um dos que são distintivos de uma paróquia que quer realmente ser uma paróquia missionária. Tem presentes as observações que o Papa Francisco fez na “Alegria do Evangelho”, e relembra que já São Paulo afirma que «a fé nasce da mensagem que se escuta, e a escuta diz respeito à Palavra de Cristo» (Rom 10, 17). É a escuta e a aceitação da Palavra que leva à obediência da fé. Ou seja, o chamamento à fé faz-se por meio da proclamação da Palavra de Deus. A palavra “obediência”, em grego, significa literalmente “estar submetido à escuta”. Acontece que, na Igreja Católica, a sólida pregação bíblica não foi uma característica forte, nem o é, mesmo nos nossos dias. E cinquenta anos após o Concílio Vaticano II, continua a haver problemas à hora de implementar as claras directivas emanadas dos padres conciliares quanto ao estudo e aprofundamento da Palavra de Deus. Por isso não é de estranhar que haja muitas homilias que se reduzem a um moralismo de circunstância, em que a Palavra de Deus, nem pretexto é do que se diz na homilia. Quando assim acontece, subverte-se a mais importante das indicações sobre os pontos básicos a que deve obedecer uma homilia tal como a Igreja, hoje, a propõe. Continuaremos, querendo Deus.
Autor: Carlos Nuno Vaz
DM

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17 fevereiro 2018