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Irmãos. Eis a condição mais bela que em nós foi depositada por Deus. Eis, portanto, o trato mais autêntico que podemos ter entre nós.
Nem sempre, porém, nos queremos como irmãos. E, muito raramente, agimos como irmãos.
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A fraternidade apresenta uma fundura – e uma âncora – transcendente. Somos irmãos porque temos o mesmo Pai.
A humanidade procede da divindade, de que é imagem e semelhança (cf. Gén 1, 26). É, pois, pela fraternidade que mais visibilizamos a primordial paternidade.
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Por vezes – a bem dizer, quase sempre – são as tragédias que nos acordam para a nossa constitutiva (embora também obscurecida) fraternidade.
Na sua última encíclica, o Santo Padre sinaliza que «a pandemia do Covid-19 despertou […] a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos».
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Daí a preocupação de delinear osalicerces – e até de propor um programa – para uma humanidade (efectivamente) guiada pela fraternidade.
É que, por deformação pluritentacular, propendemos a encolher a fraternidade à família e aos que partilham interesses.
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Trata-se do «mundo dos sócios», denunciado pelo Sumo Pontífice.
No fundo, nem sempre sabemos que todos somos irmãos. E – o que é mais grave – temos uma portentosa dificuldade em agir como irmãos.
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Por conseguinte, é hora de «recomeçar». As dificuldades, «que parecem enormes, são a oportunidade para crescer e não a desculpa para a tristeza inerte que favorece a sujeição».
Contudo – ressalva o Papa Francisco –, «não o façamos sozinhos, individualmente».
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Se estamos estruturalmente ligados, porque teimamos em desligar tantos do essencial? A chave está no amor que, por (sobre)natureza, é oblativo, não possessivo.
Evocando São Tomás, o Santo Padre emoldura o amor «como um movimento que centra a atenção no outro “considerando-o como um só comigo mesmo”».
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É por isso que «o individualismo radical é o vírus mais difícil de vencer. Ilude. Faz-nos crer que tudo se reduz a deixar à rédea solta as próprias ambições, como se, acumulando ambições e seguranças individuais, pudéssemos construir o bem comum».
Num mundo crescentemente global, «ainda estamos longe duma globalização dos direitos humanos mais elementares».
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Daí que a política «não possa deixar de colocar entre os seus objectivos principais a eliminação efectiva a fome». Importa não esquecer que «a fome é criminosa, já que a alimentação é um direito inalienável».
Tudo Isto implica o reconhecimento do outro como pessoa, como irmão. «A partir deste reconhecimento – feito cultura –, torna-se possível a criação de um pacto social».
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Carecemos urgentemente desse pacto. A fraternidade não pode esperar mais.
Ou crescemos como irmãos ou nos despedaçamos no nosso intratável – e insuportável – egocentrismo!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira