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A evaporação da ideologia do Bloco de Esquerda

A denominação Bloco de Esquerda é enganadora. Na verdade, deveria ser Bloco Comunista. Seria muito mais honesto, atendendo à sua génese partidária, à proveniência dos seus dirigentes, ao seu programa, às declarações públicas dos seus responsáveis, aos seus textos de fundamentação ideológica e às políticas que defendem. É que a denominação esquerda abrange a esquerda democrática, algo que o Bloco apenas oportunisticamente pretende integrar.

De facto, o desboroar, como um castelo de cartas, dos regimes comunistas da cortina de ferro, teve como efeito que o comunismo internacional deixou de ter um pilar essencial para a sua sustentação e propagação.

Exemplo claríssimo disso foi o Syrisa, quando, após andar de mão estendida pela China e pela Rússia, teve de se conformar com os apoios da União Europeia e do FMI porque não há no mundo apoios mais benéficos para a saída da crise do que os dados pela TROIKA chamada pelo PS.

A democracia política, estrutural nos países da União Europeia, a necessidade de sãs contas públicas, a interdependência das economias nacionais, não permitam veleidades e práticas típicas de uma ideologia que faliu também na parte económica.

O Bloco de Esquerda sabe muito bem disso e, ardilosa e oportunisticamente, tem um discurso e uma prática que faz dele o mais popularista dos partidos parlamentares. Senão vejamos:

O Bloco enche a boca com os direitos dos trabalhadores e pensionistas, mas diaboliza as empresas privadas, como se não fosse o desenvolvimento destas, o seu lucro e menor carga fiscal que permite aumento de salários dos trabalhadores, criar emprego, aumentar as pensões e melhorar a qualidade de vida de um país.

O Bloco gosta de fazer crer que foi o grande responsável pela reposição dos rendimentos, mas nunca condena o aumento de impostos que sobre eles, direta ou indiretamente, recaíram.

Ridícula foi Catarina Martins quando ligou o Bloco à social democracia baseando-se, incoerentemente, nesta ideia: enquanto Portugal viver num sistema capitalista democrático e social, o Bloco pode disfarçar ser social democrata enquanto este sistema se mantiver, apesar dos seus ataques, políticas e medidas.

Outra ideia encapotada, é a defesa da ideologia do género (destruidora da essência da natureza humana do masculino e feminino) sobre a capa da necessária proteção da defesa dos direitos das minorias.

E quanto à defesa legalização das drogas duras que o Bloco defende, com a desculpa do combate ao narcotráfico, mas que por agora apenas entende que é apenas necessário debater o tema., sem o incluir no programa eleitoral?

Quando confrontada publicamente, com o tema no acampamento do Bloco “A Propriedade É Um Roubo” Catarina Martins, no seu engodo, vem falar de bens públicos, como a água, quando não é a isso que se referem, mas à propriedade privada e individual.

O Bloco de Esquerda é um partido neomarxista que visa instituir em Portugal, em último caso, os mesmos resultados que pretendiam os partidos comunistas do SEC. XX e que tiveram um estrondoso fracasso. A grande diferença é que desistiram de o fazer através da revolução e da luta de classes, escondendo a sua verdadeira natureza.

O Bloco de Esquerda quer fazer evaporar a sua ideologia, mas com o intuito que ela regresse em forma de dilúvio. O próprio rosto de Catarina Martins é revelador quando, em segundos, muda da sua teatral expressão doce e cândida para a sua expressão mais rude e cruel.


Autor: Joaquim Barbosa
DM

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11 setembro 2019