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A esperança de um dia voltar…

Um relatório da Fundação Associação Empresarial de Portugal (AEP) aponta que 70% dos conterrâneos emigrados manifestou a sua vontade de trabalhar desde que a “casa esteja arrumada” e proporcione condições inabaláveis de confiança política, económica e social.

O regresso desta jovem geração a trabalhar fora do país incide particularmente no sentimento da saudade familiar, as amizades deixadas cá e a esperança de encontrar Portugal numa situação mais estável.

O lastro qualificativo em habilitações académicas dos cidadãos que emigram é altamente apreciado, contando-se já 15% de doutorados, 31,1% de licenciaturas com 5 anos de frequência, 9,6% de detentores de bacharel ou licenciaturas de 3 anos e 6,1% com o ensino secundário.

O Reino Unido é o país que acolhe mais jovens portugueses, não só pelas facilidades de fluência do idioma, como também uma área de atração remuneratória. A Alemanha continua a ser um chamariz dos mais arrojados para trabalharem neste espaço comunitário, onde a língua pode ser um sério obstáculo de comunicação, seguida em menor escala pela França, Holanda e Suíça. O Luxemburgo, a Suécia ou a Noruega, regiões fortes da emigração da década de 60, deixaram de ser um polo de receção emigratória. Em alternativa, a Dinamarca começa a dar os primeiros passos para uma renovada experiência dos portugueses na aventura por uma vida condigna com as potencialidades tecnicamente habilitacionais, qualidade social e melhor ajustamento económico, neste momento quase impensáveis de alcançar objetivamente no seu país, incluindo alguns países mais longínquos, com realce para a Austrália, Islândia, Canadá, Estados Unidos, entre outros, onde a marca portuguesa começa assertivamente a dar nas vistas no cômputo emigratório.

O primeiro-ministro António Costa já apelou aos jovens qualificados e emigrados dentro e fora da Europa, que voltem ao seu país, ao afirmar, em 2015, por terras de Ponte da Barca: «… eu sei que vocês não desistiram de Portugal, mas quero que também saibam que Portugal não desistiu de vocês, que Portugal não prescinde de vocês, Portugal não vos manda emigrar. Portugal está aqui de braços abertos, Portugal diz, “precisamos de vocês, voltem porque o país precisa de construir um futuro com segurança e confiança”…».

Pressupondo-se que a mensagem do governante foi varrida com a ventania e desalinhada com a realidade, contudo, é reconhecível que são de estímulo, simpáticas e motivadoras as suas palavras. Ora, o que é um facto, é que nada mudou no triste cenário da emigração dos nossos jovens altamente qualificados num país vazio e de perspetivas quase nulas.

De acordo com um relatório do Observatório da Emigração, a seguir a Malta com 24% da sua população emigrada, Portugal é o segundo país da União Europeia com uma população de 2,3 milhões de portugueses que vivem e trabalham fora do seu país, por outras palavras, 22% da demografia nacional deixou de conviver connosco para procurar os caminhos que minimizem os obstáculos ou as dificuldades negadas pelo seu “imenso Portugal”. 

 

Autor: Albino Gonçalves
DM

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22 maio 2017