O arco de uma porta, que em tempos existiu e fora nova, foi o local escolhido pele Associação ‘Braga Mais’ (BM), criada em 21 de outubro de 2012, para dar início às comemorações dos seus 10 anos de existência. Pelo que está não só de parabéns, como me apraz endereçar-lhe as maiores felicitações, bem como a todos seus membros e instituições cooperantes, com votos de continuidade e empenho na realização periódica de visitas em grupo ao rico e belo património bracarense.
Pois bem, foi no dia 15 de outubro, pp, que a BM convidou os cidadãos a participarem em mais um dos seus eventos sobre o património, que muitos desconhecem, mas que faz parte do espólio artístico da nossa Bracara Augusta. Tendo comparecido cerca de 30 pessoas, o que demonstra bem não haver sede de conhecimento, sentido crítico e opinativo sobre o que se vai passando nesta nossa urbe. O que, aliás, não é de agora este desinteresse pelo que nela vai mal e podia ser melhor em tudo aquilo que é importante para a cidade e seu concelho
Uma “visita” guiada, a celebrar a efeméride, conduzida pelo dr. Rui Ferreira que levou os participantes a percorrerem as portas mais emblemáticas da cidade dos Arcebispos. E foram as mais diversas, tais como a porta do sol, na Sé; a dos Terceiros; de Santiago; Santana e a belíssima e riquíssima porta do Sacrário do Recolhimento das Convertidas. Até aqui tudo nos trinques. Porém, acho que uma escapadela àquela “porta sem arco”, recentemente implantada no topo norte do Campo da Vinha, em memória do grande obreiro de algumas delas, o Arcebispo D. Diogo de Sousa, viria mesmo a calhar, a fim de ser escutada a opinião, sempre isenta e cuidada, daquele bracarólogo.
É que, sobretudo, em dias de refrega turística, não tenho presenciado um único turista a virar o seu apetrecho fotográfico para tal peça. Onde não há um nico de verde, ou canteiro florido, a honrar a figura daquele que deixou obra e traçou as linhas mestras que deram forma ao Centro Histórico bracarense (CE). Sinal de que os milhares que por ali passam, seguem indiferentes àquela pobreza franciscana. Um monumento pouco promotor das pretensões de Braga a Capital Europeia da Cultura, em 2027, cuja arte considero muito aquém da de um dos pedregulhos do megalítico Stonehenge inglês.
E se à porta alusiva ao Primaz, D. Diogo, lhe juntarmos o metaleiro cilindro da Memória, vá lá, com algum verde e flores, assim como o “mural” – sorumbático e sem graça – que perpetua o 25 de abril de 74, na Ponte, talvez o caldo da candidatura se entorne. Oxalá que não, mas a escolha e instalação de símbolos evocativos – como aquele boneco feito S. João Batista, a mirar a sua capelinha, ou o do Imperador Augusto, em jeito de comandante dos Bombeiros V. – deixam muito a desejar.
Em minha modesta opinião, já aqui o afirmei, o CE de Braga deveria ser tratado com pinças, se quisermos dar algum valor a tudo quanto ali existe, isto é, merece um tipo de arte mais condicente com o meio e não como a que, ultimamente, foi implantada. Ou seja, consentânea com os seus vetustos edifícios e calçadas. Ou será que já não há artistas para isso? É que caso contrário, de que adianta às entidades públicas exigirem aos proprietários do casario a manutenção das antigas fachadas se, a seguir, lá colocam algo a destoar esse legado?
Com efeito, entendo que os traçados e edificado antigos, não só devem ser preservados, como merecem ser-lhes dada consistência, evitando a sua degradação. E, daqui, lanço um “repto” a quem zela pelos espaços e templos religiosos nos montes sagrados bracarenses: “por favor, não inventem demasiados adornos, granito e afins para lá. Porque já basta a capelinha de apoio à Basílica ser muito capaz de induzir em erro alguns cidadãos, pensando ser alusiva à aparição da Virgem Maria no Sameiro. Velem, isso sim, pela sua aura mística, beleza monumental e pureza das matas circundantes. Não descaraterizem, nem defraudem as pessoas que até lá peregrinam”.
Autor: Narciso Mendes