Que resultados obtive? Por mais esforços que envide, por mais positiva que seja, a realidade é que são lentos e tardios os resultados a alcançar. Será que ainda vou conseguir visualizá-los atempadamente?
Há já algum tempo, li um livro em que o autor referia, que se deviam traçar metas e objetivos. Se não os alcançasse em tempo útil, deveria mudar de estratégia. Bem, tudo é questionável. Na altura mudei de estratégia e nada aconteceu. Não tinha que ser. Às vezes falta-nos a virtude da humildade para aceitar o que não é exequível.
Pura e simplesmente não tinha que acontecer. Nem sequer mudando de estratégia. Pois é, também li um artigo em que o seu autor referia que uma vez por semana, deveria tirar duas horas para meditar acompanhado por um bloco e lápis, para tomar notas, para pensar no que estava certo e se era necessário alterar o seu percurso de vida.
Assim seria possível corrigir os erros em tempo útil. Na realidade, é bom tirar um tempo para pensar, ainda que às vezes as situações com as quais nos confrontamos, nos ultrapassem. Cada caso é um caso, tornando-se assim difícil generalizar.
Também ouvi referir que se deve viver um dia de cada vez. Não sabemos se o dia de amanhã chegará. O de ontem já passou com tudo o que tenhamos feito de bem ou de mal. Se foi de mal é chegado o tempo de corrigir e seguir em frente. Tudo tem solução. Ou seja há conselhos, opiniões mais ou menos válidas para cada situação. O meu fio condutor diz que devemos agir em consciência, pois somos responsáveis pelas nossas atitudes. Que cada dia que passa torna-se necessário envidar novos esforços. É preciso ver Deus nos acontecimentos.
Olho em frente tentando perspetivar o futuro, ter certezas… De Santo Agostinho é a frase: “Tarde Te amei, beleza tão antiga e tão nova”. Do recôndito do meu coração, parece-me ouvir que só há uma certeza. Que um dia chegará a minha hora e partirei ao encontro de Deus e da Vida Eterna. Essa é verdadeiramente, uma realidade incontestável. O melhor mesmo é estarmos preparados para esse momento, dado que não sabemos qual será o dia e a hora.
Santo Agostinho disse uma frase muito bela: “Criaste-nos Senhor para Ti e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti”. E enquanto aqui estivermos, lutaremos por merecer e consequentemente, poder um dia vir a alcançar o Céu. S. Josemaria in a Forja, também referiu: “para um filho de Deus, cada jornada tem que ser uma ocasião de renovar-se, na certeza que, ajudado pela graça, chegará ao termo do caminho que é o Amor”.
Hoje fui tomar café com umas amigas. Foi mesmo muito agradável. Cada uma tinha um contributo ou experiência vivenciada sobre o tema em debate, que surgia espontaneamente no decorrer da conversa, relativo às preocupações do dia-a-dia que mais nos inquietavam. A certa altura abordou-se a importância da alegria, do modo como contribuía positivamente através da desdramatização, para a resolução de muitas situações.
Nada surge por acaso. Recentemente tinha falado sobre este tema com uma outra amiga. Mais precisamente sobre o temperamento versus a serenidade e a alegria. Só com perseverança se alcança a serenidade, no sentido de nos tornarmos semeadores de paz e de alegria. Para Deus o que tem mais valor são as pessoas.
Para O amar, torna-se necessário amar o próximo. S. Josemaria in Sulco, 856, sobre este tema, escreveu: “Se por teres o olhar fixo em Deus souberes manter-te sereno no meio das preocupações, se aprenderes a esquecer as ninharias, os rancores e as invejas, pouparás muitas energias, que te fazem falta para trabalhar com eficácia…
Terminámos o nosso café, comentando quão importante tinha sido este momento de partilha de experiências e conhecimentos. Podíamos não ter resolvido os assuntos, mas possuíamos novas ideias que nos poderiam vir a ser úteis. Também tinha constituído um momento de socialização extremamente agradável.
O futuro apresentava-se agora mais risonho, o cansaço persistia mas já tinha conhecimento da sua origem, ou seja, era psicossomático. O tempo e a terapêutica prescrita irão ajudar a resolver a situação em causa. A auréola voltou a brilhar e tudo já faz mais sentido, o sentido que viver a vida acarreta.
Autor: Maria Helena Paes
A Auréola
DM
10 outubro 2017