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A atração pelo crime e pela violência

As imagens de violência são uma constante nos telejornais. Hora do almoço e hora do jantar, são horas de desassossego para quem quer ter alguma informação sobre o que se passa no mundo exterior. As notícias são dadas de forma a que se misture factos do dia a dia político, futebol, crime e violência. Claro, intervaladas pela publicidade que insiste em que nós não ouvimos bem e devíamos todos comprar um amplificador de som. Cá por mim que sou radical, devia haver separação nas notícias

como fazem alguns canais estrangeiros que têm noticiário desportivo, noticiário político e deixam o crime para os jornais explosivos dos engole raivas! (Engole raivas quer dizer paparazzi em português)

Até há um canal televisivo dedicado à comercialização do crime, onde são expostos os rostos de possíveis culpados, de indiciados,de hipotéticos vigarizados e obviamente das respetivas vítimas, mesmo quando já cobertas pelo lençol que caridosamente as tapa, na maca levada por bombeiros ou polícias.

Às pessoas esgrouviadas e apanhadas de surpresa por um microfone agitado pelo punho pouco profissional de um ou uma entrevistadora, é perguntado qual a sua opinião sobre este e aquele vizinho,se já tinha notado sinais de alarme no seu comportamento desaforado. Regra geral o cidadão, de qualquer género, responde que aquele suspeito de ter cometido as mais barbaras atrocidades lhe parecia muito pacato, muito metido consigo mesmo, era só bons dias e boas tardes pela calada e nunca, não senhora, nunca o imaginara capaz de tais atropelos à lei e à integridade do familiar atacado. E vincam que nunca o ouviram erguer a voz, nunca o viram dar marretada nem na mula do cigano nem no burrinho da tia Susana.

Que país somos, talvez não muito diferente de outros, onde o crime e as vivências sórdidas, atraem tantos espectadores que com lencinhos de renda limpam a lágrima de satisfação não confessada.

Um dia, tinha a minha filha seis anos, um homem violento, um sociopata, em plena rua, levantou a mão e bateu-lhe na cara. Ela chorou de vergonha e de humilhação, veio a chorar até casa e nunca esqueceu. Eu chorei de vergonha, ao ter de explicar à minha filha que muitos e muitos adultos, aparentemente normais, podem ser pessoas terrivelmente doentes e perigosas.

Adultos imaturos, descontrolados, desconhecedores da sua própria e bruta força, provocando mau estar e desordem numa sociedade que observamos com infinita preocupação. Atacam os mais vulneráveis, os mais velhos e as crianças ou os familiares que os impedem de ter satisfação imediata para a sua impulsividade.

Os serviços de atendimento de pessoas portadoras de distúrbios mentais não são suficientes para fazer a triagem, a prevenção e o tratamento de que muitos portadores de patologia psiquiátrica que medicados podem ter uma vida sossegada, produtiva, criativa.

Mas, de facto, sociopatas e psicopatas não melhoram com nenhum tratamento médico e geralmente parecem mesmo muito pacatos, muito metidos com eles mesmo, ensimesmados, só bons dias e boas tardes pela calada e nunca, não senhora, nunca nenhum vizinho os imagina capaz de tais atropelos à lei e à integridade familiar que os cerca.

E é por isso que conseguem fazer carreira a infligir tormentos quer a crianças desconhecidas quer a familiares próximos.


Autor: Beatriz Lamas Oliveira
DM

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16 setembro 2019