Recentemente Miguel Laranjeiro, Presidente da Federação de Andebol de Portugal, concedeu uma entrevista ao jornal desportivo “A Bola”, onde afirmava que, “apenas 35% dos jovens praticam atividade física regular”, pelo que considerava isso uma catástrofe nacional.
Para mim nada que eu já não o tenha referido e alertado, em vários artigos publicados neste espaço, mas sem sentir que tenha havido grande evolução, nem inversão, sobre o assunto. O problema é que, na realidade, se nada mudar, muito brevemente os problemas vão passar para o foro do Ministério da Saúde e aí sim haverá problemas sérios de doenças e a catástrofe acontecerá.
Facto é que os adolescentes nacionais têm pouca atividade física, em contraste com os do norte da Europa. Pedro Teixeira, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física defende que as escolas deviam ter uma hora diária de Educação Física, o cenário que considera ideal e que já acontece nalguns países da Europa.
Em Portugal, cerca de 80% dos adolescentes não são suficientemente ativos, refere o responsável pelo mais recente programa prioritário da Direcção-Geral da Saúde (DGS).As recomendações mundiais para crianças e adolescentes vão no sentido de que devem acumular no mínimo uma hora por dia de atividades livres ou estruturadas, que envolvam movimento físico moderado.
Em Portugal, os alunos do ensino básico têm três tempos letivos semanais de Educação Física e, embora Pedro Teixeira reconheça que esta carga horária está atualmente ao nível da média europeia, crê que está mal distribuída. "O que se passa em Portugal é que por fenómenos de organização dos calendários escolares, este horário é concentrado em um ou dois períodos (por semana), o que acaba por ter consequências negativas na aquisição das aprendizagens e na forma como os alunos se relacionam com a disciplina", afirmou o especialista em entrevista à agência Lusa.
Ou seja, mais do que o número de horas ou tempos por semana, está em causa a forma como são organizadas no horário escolar, com Pedro Teixeira a defender que é preferível não concentrar as horas da disciplina e espalhá-las ao longo da semana.
Atualmente há países que estabeleceram uma hora diária de Educação Física nos currículos escolares: "Isso dá uma margem de manobra para aquisição de competências e capacidades físicas. Seria ideal que para lá pudéssemos caminhar".
O coordenador do Programa, saúda que a disciplina de Educação Física no Ensino Secundário tenha voltado a contar para a média de entrada no Ensino Superior e salienta que deve ser vista "como uma disciplina tão fundamental como todas as outras".
Há que trabalhar noutros campos para que os adolescentes abandonem a tendência de se tornarem mais sedentários. Segundo Pedro Teixeira, há que trabalhar com as famílias, com a escola e com as autarquias para, por exemplo, fazer com que haja, o mais possível, períodos de atividade física, exercício físico ou desporto. Então pela sua saúde, urge começar a sua atividade já que ontem se fazia tarde!..
Autor: Luís Covas
A atividade física nas escolas
DM
27 setembro 2019