1. Conforme decisão do Papa Francisco principiou no passado dia 19 um “ano especial” dedicado à família. Assinalando o 5.º aniversário da exortação ‘Amoris Laetitia’ (A Alegria do Amor), decorre até à celebração do X Encontro Mundial das Famílias, em Roma (26.06.2022). Foi convocado em 27 de dezembro de 2020, dia em que a Igreja Católica celebrava a festa litúrgica da Sagrada Família.
É mais uma oportunidade para refletir sobre a importância da família, não dando cobertura a certos ideólogos empenhados na sua destruição.
2. A família é uma comunidade de pessoas que se aceitam, se respeitam, se amam. Tem origem no casal. Este é constituído por um homem e uma mulher que decidem caminhar juntos na vida, lado a lado (não um a reboque do outro), de mãos dadas, na execução de um projeto comum.
Cada um dos elementos da família é uma pessoa. Não uma coisa ou um objeto de que o outro dispõe ou se serve. Duas pessoas iguais e diferentes. Iguais em dignidade e em direitos. Mas cada uma delas com o seu feitio, o seu temperamento, as suas qualidades e os seus defeitos.
O facto de serem diferentes não significa que um se considere mais que o outro ou os outros. Marido e mulher são seres complementares. Enriquecem-se.
Que cada um saiba ver no outro um ser humano igual si e respeitar e valorizar as diferenças. E saiba ser compreensivo relativamente aos seus defeitos e limitações.
3. Um grande valor a preservar é a estabilidade da família. É fruto do amor entre todos: marido e mulher, pais e filhos, irmãos.
Não de um amor qualquer. Não de um amor que se limita à atração física, estimando o outro como se cuida de uma flor até que murche e seque. Não se ama a prazo.
Na referida exortação o Papa lembra o capítulo 13 da I carta aos Coríntios. A reflexão que proporciona é um bom contributo para que no casal o amor cresça em dedicação ao outro, no cuidado pelo outro, na preocupação com outro. Num amor mais empenhado em dar do que em receber. Consciente de que amar verdadeiramente uma pessoa é sentir-se corresponsável pela sua felicidade. É viver para ela e não à custa dela. É servi-la e não servir-se dela. É preocupar-se mais com ela do que consigo próprio. É fazer quanto depende de si para que na família haja bom ambiente. É saber discordar sem ofender. É, quando for caso disso, saber dizer coisas menos agradáveis sempre com amor. É saber perdoar e pedir perdão.
A estabilidade do casal não se compadece com um casamento feito espetáculo. Celebrado levianamente ou à pressa. Recomenda-se seja bem preparado, bem celebrado, bem vivido.
4. Do amor entre o casal surgem, normalmente, os filhos. São um dom que Deus confia à guarda dos pais. É missão destes, prepará-los para a vida. Ensiná-los a voar e deixar que voem.
Para a felicidade dos filhos contribui muito a estabilidade do casal. Não são quem menos sofre com as dificuldades de relacionamento entre os pais.
5. Um dos problemas sérios do Portugal de hoje é a falta de nascimentos.
O número de mortes aumentou 10,2% e o número de nascimentos caiu 2,6% em 2020 face a 2019, o que determinou "um forte agravamento do saldo natural", negativo há 12 anos em Portugal, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística.
Portugal registou 84.558 nados-vivos e 123.467 óbitos em 2020, incluindo nascimentos e mortes no estrangeiro. Em 2019 o número de mortes foi de 112.291 e o de nascimentos de 87.026.
É este um problema que deve preocupar seriamente os governantes. Compete-lhes proporcionar condições para que os casais possam exercer uma paternidade consciente e responsável.
Autor: Silva Araújo