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Belmiro de Azevedo, c/quem trabalhei na Sede da SONAE: 2000-2009

Muitos conhecidos, mas poucos amigos! É impossível colocar tudo o que haveria para contar de 10 anos. Trabalhar na sede mundial da Sonae durante o reinado CEO-Belmiro de Azevedo foi para mim histórico. Por vezes, um simples cruzamento no corredor pode significar mais do que as aparências reflectem: condolências a toda a família e amigos pela partida do amigo Engº Belmiro de Azevedo, com quem troquei informações ainda recentemente. Já sabendo do agravamento da sua doença que voltara em força bruta nos últimos anos, “escrevi”, no m/Facebook, em 17/5/17: PRÁXIS! Como Professor sempre liguei a teoria à prática, tive a honra de trabalhar 10 ANOS super intensos no Direito e na advocacia, na sede mundial do Grupo SONAE, o maior empregador privado português. Todos os dias lá estava o Engº Belmiro de Azevedo, o português mais rico que nunca me falhava nos pagamentos. Aí aprendi a trabalhar 16Hrs por dia ou mais pois também já leccionava à noite. Se não fosse o Grupo SONAE, onde conheci excelentes Juristas e Advogados, diversos profissionais incluindo Porteiros e Jardineiros, Limpeza, bem como dos melhores Gestores do mundo, não teria provavelmente feito as m/Teses pré-Bolonha que são independentes, basta ler. Trabalhar num local destes é equivalente a ter 4 ou 5 doutoramentos e 4 ou 5 mestrados e 1.000.000 ou mais de publicações. Parabénsa Todos aqueles que trabalham honestamente todos os dias, por vezes até à exaustão. Como quadro tinha contrato sem termo, quis-me dedicar mais à investigação e leccionação. O que não significa que não volte um dia pois o vício do trabalho está cá dentro e devo-o em grande parte ao Grupo mundial SONAE. O segredo? Também ambientes ecológicos PÚBLICOS saudáveis no Porto, incluindo o mar, e no meu caso o enorme jardim da casa dos Sopas onde quis Deus que eu vivesse durante 10 anos, comprada pelo meu Avô Sopas, que foi um dos maiores comerciantes do Porto – ainda o Engº Belmiro era um projecto de empresário - e cujo sangue tenho profundo orgulho em transportar. Obrigado do coração. Quando entrei para a Sonae estava a meio do meu mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Católica. Foi em 3/4/03 que defendi a minha tese em provas públicas, a qual tratava de crimes e contra-ordenações tributárias. A Sonae fez-se representar pelo Responsável David Ferreira da Fiscalidade. Não era para menos, o meu júri era constituído pelo pai do direito e processo penal português, Doutor Figueiredo Dias, pelo Presidente do Tribunal Constitucional Doutor Costa Andrade e pelo Doutor Marques da Silva, Presidente do Direito na Católica e um bem-sucedido advogado radicado em Lisboa. Tive a melhor nota da turma numa altura em que quase ninguém fazia mestrado: muito bom ou 17-18 valores. Pouco depois editei a minha tese pela Editora Almedina, Coimbra. Chegou a ser o livro jurídico mais vendido em Portugal. Iniciei então o reforço da carreira na Universidade. Comecei a leccionar à noite e… resolvi sair da Sonae, apesar de me quererem reter, desta vez numa empresa diferente do próprio Grupo Sonae. Era quadro superior com contrato sem termo quando foram atrás de mim para me colocarem noutro posto mais bem remunerado. Mas a vontade para investigar com profundidade era muito forte. O ritmo de trabalho que aprendi ajudou e muito. Conhecia e conheço pessoalmente vários familiares seus. O seu melhor amigo, o Sr. Leopoldo Furtado Martins, é aliás meu Padrinho de Casamento (Pinto, Magalhães, “Belmiro História de Uma Vida”, Âncora Editora, Novembro de 2001, p. 96). Curioso era Belmiro ter um respeito sagrado pelo intocável velho gabinete do fundador da Sonae, seu ex-patrão, Afonso Pinto Magalhães, 38º Presidente do FCPorto, genial banqueiro, empresário e mecenas, fundador igualmente da Novopan, Sogin, Supermercados Invictos e Modelo e Bando Pinto Magalhães. Vizinho da minha Avó materna do Porto, ajudava a pagar os cursos de jovens pobres que eram financiados em anonimato. No seu Banco tinha um secretário dedicado aos mais necessitados. Apoiava artistas e arquitectos. Fundou o Lar do Comércio para os idosos… Sem o genial Pinto Magalhães não existiria nunca o genial Belmiro. RIP.
Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira
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1 dezembro 2017