A expressão já a ouvimos muitas vezes por parte de várias pessoas, sobretudo, das que já têm alguma idade e padecem de alguma incapacidade. Na verdade, ser cuidado pela família, seria sempre o ideal, mas o modo de vida nos dias de hoje torna inviável, em muitas situações, uma atenção aos mais velhos circunscrita à família. Já São Paulo dizia não querer sobrecarregar ninguém na missão de anunciar o Evangelho: “Foi a trabalhar noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós”. Era desta forma desconcertante que os primeiros Apóstolos se apresentavam às comunidades que visitavam. Eram exemplares, comportando-se de “modo recto, justo e irrepreensível”. Quem dera que, como eles, ficássemos desconcertados com os nossos governantes! Quem dera que servissem o seu país, o nosso país, com afecto e de forma desinteressada, sem procurar tirar das suas funções vantagens materiais para si, os amigos e as organizações a que pertencem!
Sabemos todos que os políticos, de uma forma geral, dizem coisas bonitas que agradam ao ouvido de quem os escuta, fazem promessas de bondade, de reparação e correcção de situações injustas que depois esquecem com a maior das facilidades. Facilmente, explicam atrasos e a falta de concretizações com “fardos pesados” que herdaram dos que os antecederam, não tendo a humildade de admitirem erros próprios, algum desleixo e até falta de competência em algumas matérias mais exigentes. Não nos conseguem desconcertar pela positiva. Por isso, também não nos conquistam de verdade, seriamente, ainda que consigam agora ou depois apoios que os permitem concretizar os seus próprios objectivos.
Somos testemunhas de esquecimentos e desleixos relativamente a promessas nas mais diversas áreas, nomeadamente, ligadas aos incêndios e às tempestades, algumas das quais já vêm do governo anterior, mas há-as que foram feitas pelo actual Executivo. Há muitas pessoas, infelizmente, que estão ainda, neste momento, sob o peso de “fardos pesados” em virtude de promessas incumpridas.
Dizem e não fazem. Os fardos pesados ficam onde os encontraram e antes de saírem deixam-nos aos ombros dos que se seguem. Sem seriedade, verdade e coerência ninguém pode arvorar-se em cumpridor e leal com os demais. A fraternidade é o fundamento de qualquer comunidade. Se aquela não existir e não for promovida pelos nossos governantes, que futuro poderá ter a segunda? E se os governantes se tornarem os verdadeiros fardos?
Quem tenha uma missão que assumiu conscientemente, não pode deixar de promover a fraternidade. Caso se desvie dela por uma razão que não é do interesse colectivo, está a falhar, está a sobrecarregar o todo. Quem, do alto das suas funções, tratar diferentemente o rico e o pobre, o poderoso e o humilde, não está a ser digno.
Os governantes que não escutam o seu povo, os que, tendo poder, não se empenham verdadeiramente na resolução dos problemas do país, que fazem tropeçar na lei que criam os mais inocentes e incautos, os que rasgam os compromissos que assumiram com os cidadãos, os que se comportam como lapas interesseiras nos cargos sem um escrutínio que valide a continuidade, esses são um grande fardo para todos.
Mas, também aqueles, ainda que sejam humildes, mas que podendo trabalhar o não fazem, acarretando encargos que serão suportados pelos restantes membros da comunidade que, tantas vezes, só possuem uma míngua de rendimentos para si e a sua família mais directa, estão a sobrecarregar os seus pares.
Se somos todos um povo, por que somos desleais uns para com os outros, governantes para com os cidadãos, cidadãos para com o país, cidadãos para com os seus pares?