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Greta Thunberg e a agitação nacional

Recordam-se, com certeza, os leitores daquela menina de 15 anos que se colocou frente ao Parlamento sueco numa manifestação isolada pelo clima. Era Greta Thunberg, que não se sabe como, foi o rastilho, junto de milhões de jovens que sensibilizados já estavam para o problema climático.

Sempre à frente do touro, Greta surgia em países a reclamar mudanças, presença que gerou movimento a nível global. Greta Thunberg era cabeça, fizeram da cabeça dela líder da juventude pensante, destemida, porque defendia que o planeta estava (e está) doente.

Como não podia deixar de ser, em Portugal surgiram milhares de manifestantes que seguiam e apoiavam a menina do Parlamento sueco. Embora agora, não com tanta assiduidade em prol do planeta terra, muito se escreveu, muito se fez e muito se fará por esta casa em que nascemos e vivemos, embora haja políticos que se marimbam para o problema climático.

Podemos então concluir, que os jovens, querendo ter voz, têm mais cultura e estão sensibilizados para os problemas sociais: económicos, educativos, de saúde e tantos outros problemas que têm sido resolvidos à velocidade dos caracóis.

Na verdade, os nossos jovens interessam-se, agitam os parados, e vemo-los afincadamente nas cidades mais populosas a defenderem o direito à habitação neste mês de Outubro, em Portugal. Eles, bem como gente de várias idades, participam e reivindicam justiça social, direitos que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa.

Esta gente, que tem como meta principal o direito à habitação, onde milhares de portugueses sofrem com tal descalabro, veem-se proibidos de programar o futuro, de constituírem vida própria, de serem independentes e de sentirem que caminham certos: no caminho da normalidade e da realização das suas vidas.

Sabem os jovens e todos os portugueses, que o país tem sido mal governado. Não temos líderes políticos sérios, mas sim políticos que veem na política a forma mais rápida de engordarem as suas contas bancárias e a dos seus familiares.

Não tem Portugal, apenas o problema da habitação. E ouve-se e lê-se em cartazes, a precariedade laboral, a falta de produção, os salários que apontam o caminho da fome a quem trabalha, para já não falar da falta de emprego para todos, de forma que não seja preciso emigrar, melhor, que não seja preciso comer o pão que o diabo amaçou.

Os manifestantes deste Outubro de 2026 nas praças das nossas cidades, sabem que há mais de vinte anos o país tem parado. Os socialistas quedaram-se frente aos problemas nacionais: foi a política tresloucada de Sócrates, foi o saque a trabalhadores e reformados do Estado de Pedro Passos Coelho e foi o desastre/funerário de António Costa com a apresentação/imposição da “geringonça” em Portugal. Pelo que, há que pagar a factura!

Este Governo de Montenegro, quanto a mim pouco apressado no que respeita ao bem do país e do povo, caminha, sorri, acredita que tem feito muito, mas quanto à ousadia e a conhecimento das realidades/sofrimentos dos portugueses, deixa dúvidas.

Habitação, mais habitação, pedem os manifestantes. Segundo o que conheço, entre 1999 e 2002, fizeram-se cem mil fogos por ano; em 2015 concluíram-se cerca de oito mil fogos e em 2025 vinte e seis mil novos fogos. Ora é uma disparidade pela negativa, do que foi feito em habitações, desde o fim do século passado e deste.

E enquanto os políticos com a sua insensibilidade quanto ao verdadeiro servir e respeito pelos eleitores, sorriem, se defendem dos ataques e fazem promessas sub-reptícias, isto é, não dizem o que fazem nem quando o fazem, a policia aguenta os manifestantes, são ridicularizados por certos partidos, atacados por quanto é canto, com seus familiares em sobressalto permanente porque não sabem se esses elementos da segurança entram em casa ou no hospital, no fim de uma maratona de reivindicações que, diga-se com verdade, são justas.

E se os elementos da segurança, actuam, são nazistas; se se fazem de cegos perante os problemas, são madraços; se cumprem ordens e se defendem a Lei, estão sujeitos a responderem nos Tribunais por excesso de zelo. 

Mas a PSP, sabe que os manifestantes deste Outubro pelo direito à habitação, são manobrados por elementos da falecida “geringonça”: na manif bem se vê gente do Bloco de Esquerda e Comunistas, a criarem as Assembleias Populares. Não lideram na Assembleia da República onde fazem as Leis, mas sim na rua e de braço no ar.



 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)

Artur Soares

Artur Soares

30 outubro 2026