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Manifestações nos nossos dias

Nos últimos dias, temos assistido a muitas manifestações de cidadãos, que procuram chamar a atenção para o problema habitacional no nosso país, onde a falta e o custo das casas

constitui um verdadeiro problema social, que é necessário tentar resolver.

O motivo de tal movimentação é justo, embora tais iniciativas, por si mesmas, não resolvam a questão. Certamente que chamam a atenção para uma situação de injustiça e de difícil resolução. Este facto é um bem e que, assim se espera, manifeste às autoridades vigentes que não podem nem devem descurar este panorama, dando-lhe a relevância requerida.

Uma manifestação tão acalorada não resolve a questão, insistimos. Pode, inclusivamente, ser originada por razões políticas, onde os seus mentores estão mais interessados em levantar problemas a quem governa do que em pôr ponto final a uma circunstância social deficiente. De qualquer modo, chamam a atenção para uma realidade negativa, que vitimiza cidadãos, já que não conseguem solução para uma realidade fundamental sua e da sua família, que é a vida de todos os dias no seu lar.

Certamente que todos estamos de acordo que compete, a quem governa. a obrigação mais estrita de tentar solucionar o problema. As manifestações são uma espécie de grito reclamatório que lhes chama a atenção para problemas sociais que se vivem no país. E são também, de certo modo, uma reação compreensível, porque lembram que há cidadãos que não se conformam com que o presente, em todas as suas dimensões, não seja afrontado com diligência e existam panoramas de deficiência social que necessitam de muita atenção.

Com isto, não queremos dizer que os nossos dirigentes políticos estejam de olhos fechados para estas questões, como, aliás, têm comprovado com medidas que já tomaram ao longo da sua vigência governamental. No entanto, estas movimentações tão chamativas podem reforçar o seu esforço por concretizar mais soluções que visem o bem-estar dos portugueses.

Enfim, compreendemos a iniciativa dos manifestantes, enquanto lembram que é necessário ter muito presente o problema habitacional dos nossos cidadãos. As suas iniciativas obrigam, com certeza, a ter em conta a situação muito desajeitada e incómoda de compatriotas nossos, como é sabido. 

Uma chaga negativa: que alguém tenha aproveitado uma manifestação para pintar desajeitadamene – a expressão mais adequada seria “borrar” – um monumento público numa das praças mais conhecidas da nossa capital. A principal – assim creio – responsável por essa manifestação, explicou que a autoria dessa pintura não tinha relação com a sua iniciativa. Seja como for, seria bom prever acções semelhantes. De modo a que os próprios manifestantes impedissem que alguém com mau gosto e desrespeito por uma obra artística e representativa de um personagem importante da história portuguesa, concretizasse de modo tão indecoroso e sujo a sua indiferença perante um monumento público. Como costuma dizer-se em circunstâncias similares: o que ele fez (ou eles fizeram) é uma selvajaria.

Pe. Rui Rosas

Pe. Rui Rosas

28 outubro 2026