A questão - activistas ou arruaceiros - é pertinente e está na frente do debate. Há que definir bem os conceitos para se evitarem maus-entendidos. Sabemos que uns, pomposamente, se intitulam e com grande aparato ideológico como activistas. Gente à frente dos tempos, muito sensível pelos bens naturais e pelo clima. Defensores das nobres causas sociais e implacáveis lutadores dos pecados cometidos pelas sociedades modernas e desenvolvidas. Gente ultra-esclarecida, muito bem “letrada” e embarcada nas correntes das ideologias fracturantes. Extremistas e alucinados, saudosistas das assembleias populares do tempo do PREC, onde elaboram as suas próprias leis que lhes dá folgo para actuar com impunidade de consciência; os outros, os arruaceiros, gente rude, sem princípios e sem valores. Iletrada e insensíveis às causas sociais. Gente fechada e violenta. Gente da direita reacionária e troglodita. Só poderia ser!
1 - Mas, vamos às questões que se apresentam nos vários palcos da “luta”. Os que incendeiam lojas são activista ou arruaceiros? Os que despejam e borram as pessoas, em palestras, com latas de tinta são activistas ou arruaceiros? Os que andam a perturbar a ordem pública nas ruas e a pilhar lojas são activistas ou arruaceiros? Os que vandalizam os monumentos e com mensagens de ódio são activistas ou arruaceiros? Os que lançam o caos nas cidades são activistas ou arruaceiros? Os que provocam e insultam as forças de segurança são activistas ou arruaceiros? Esta diferenciação tem que ser bem explicada e melhor entendida. A ideologia dá o seu contributo cabal e bem claro. Se os manifestantes forem da direita são arruaceiros e fascistas; se forem da extrema-esquerda são activistas e solidários. O radicalismo é mesmo tremendo e atravessa bem e em misturas homogéneas os dois conceitos. Activismo e arruaça são irmãos gémeos na instalação da desordem pública e na vandalização dos bens privados e públicos. Uns e outros andam bem de mão dada.
2 - A grande causa no momento é a falta de casas. Aonde? Em Lisboa e no Porto? As casas são caras? E as rendas são incomportáveis? Só agora é que os “activistas” perceberam que há falta de casas? Essa gente adormeceu com o sonífero administrado pelo grande e generoso dr. Costa que em 2018 prometeu solenemente que todos e todas iriam ter uma casa adequada nos 50 anos da democracia? O resultado dessa promessa está bem à vista de todos. Só para lembrar: a data da indignação expirou em 2024. Porque não se manifestaram nessa altura?
O que fez o governo neo-socialista para resolver este e outros problemas que afectam o país? Aqui estão também os resultados das cativações do brilhante Centeno que anda agora a cantar de galo a propósito de tudo e de nada.
O tempo não é para brincadeiras, nem para divertir as massas. Os canais televisivos empolgaram-se e o comentariado nacional saliva com tão “saboroso petisco”. O assunto é mesmo sério e requer muita seriedade e ponderação para lhe dar um seguimento adequado.
4 - Em jeito de remate: Há falta de casas em todo o país? Não. As rendas estão caras? Sim. Comprar uma casa nas grandes cidades é um grande sarilho que implica muitos sacrifícios aos compradores? Sim. Contudo, ainda há uma outra abordagem a este assunto. No Interior do país, há muitas aldeias abandonadas e sem gente. Os “acompados” do Porto e de Lisboa e outros, cheios de nervo e de ideias inovadoras, poderiam decidir em “assembleias populares” fazer uma maravilhosa experiência de vida e ir ocupar as casas dessas aldeias do Interior abandonado. De certeza que as Câmaras Municipais locais os ajudariam nessa mudança de vida com vantagens para todos. Ou seja, os activistas tinham as suas casas e o Interior povoava-se de gente nova e cheia de vigor. E o país se equilibraria. Portanto, tudo está nas mãos dos activistas.