1. O «Diário do Minho» do passado dia 2 trouxe uma notícia que me chamou particularmente à atenção: a publicação do livro «A Igreja e a Sociedade», relativo à Doutrina Social da Igreja. É uma iniciativa do IDL - Instituto Adelino Amaro da Costa.
O IDL - Instituto Democracia e Liberdade, a que se passou a juntar o nome Adelino Amaro da Costa, foi constituído por escritura pública em 06 de outubro de 1975. Outorgaram como fundadores Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta, Emídio Pinheiro, Eugénio Anacoreta Correia, José Manuel Macedo Pereira, Pedro Pestana de Vasconcelos, Víctor Sá Machado.
Tem como fins estatutários a “investigação dos fenómenos culturais, sociais, económicos e políticos determinantes do livre exercício da democracia em Portugal, nomeadamente os que respeitam à democracia cristã, e bem assim a formação de quadros que naqueles grandes setores da atividade humana promovam o exercício da democracia e liberdade”.
2. Adelino Amaro da Costa, perante cuja memória me inclino, foi uma das vítimas do suponho que ainda não esclarecido acidente de Camarate, na noite de 04 de dezembro de 1980.
Após a Revolução de 25 de Abril, influenciado pela Democracia Cristã, foi um dos fundadores do então Partido do Centro Democrático Social de que viria a ser um dos mais carismáticos dirigentes; foi o primeiro secretário-geral eleito do CDS, em 1974.
Foi deputado à Assembleia Constituinte, eleito em 1975, e deputado à Assembleia da República, sucessivamente eleito nas legislativas de 1976, 1979 e 1980, tendo liderado o Grupo Parlamentar do CDS.
Após a vitória da Aliança Democrática, nas eleições legislativas de 1980, foi-lhe atribuído o cargo de Ministro da Defesa Nacional do VI Governo, tornando-se assim o primeiro civil a assumir esse ministério depois do 25 de Abril.
Com este currículo e de quem muito havia a esperar, faleceu tragicamente naquela noite de há 46 anos, juntamente com outras individualidades de que destaco Francisco de Sá Carneiro.
3. Considero mais que oportuna e justa (assim interpreto o facto) a homenagem que agora se lhe vai prestar com a publicação do livro «A Igreja e a Sociedade». É uma forma de dar continuidade àquilo por que lutou.
O referido livro é apresentado pelo IDL e pela Paulus editora no próximo dia 14.
O primeiro volume, «A Doutrina Social da Igreja – as encíclicas papais» reúne doze importantes documentos do Magistério Social da Igreja, desde a Rerum Novarum de Leão XIII ao magistério do atual Papa.
«A Igreja e a Sociedade», com prefácio de D. Rui Valério, constitui um itinerário de formação e reflexão, colocando a pessoa humana, o bem comum e a fraternidade no centro do debate sobre o futuro da sociedade».
4. Não deveria sê-lo, mas a verdade é que se torna necessário dar a conhecer a Doutrina Social da Igreja. Conhecê-la e praticá-la. Não é suficiente conhecê-la; tratá-la como produto de exportação.
Posso estar em erro mas estou persuadido da existência de instituições ligadas à Igreja que podiam evidenciar-se pelo cumprimento da Doutrina Social da Igreja mas não o fazem. Ou se o fazem, não se nota. Dá a impressão de procurarem ser como as outras. Cumprem, porque por lei, a isso são obrigadas, as orientações e exigências dos sindicatos, mas a Doutrina Social da Igreja, pelo que parece, fica à porta. Pelo que parece. Admito que seja má visão minha.
5. Não deixa de ser útil uma reflexão sobre Princípios da Doutrina Social da Igreja analisados por Leão XIV no capítulo II de «Magnifica Humanitas»: princípio do bem comum, princípio da destinação universal dos bens, princípio da subsidiariedade, princípio da solidariedade, princípio da justiça social. O desenvolvimento humano integral.
«A Doutrina social, escreve o Papa Leão XIV, não é apenas uma palavra dirigida à sociedade: é também um exame de consciência para a Igreja, casa e escola de comunhão, chamada sempre a averiguar se os princípios evocados neste capítulo são vividos, em primeiro lugar, dentro de si mesma» (n.º 86).