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A "Vinha das Nações" está a ser posta em risco

Um sistema de governo deve produzir bons frutos para os habitantes de um país. Por definição, é essa a missão a que está obrigado. E quais são esses frutos? Encontramos a resposta na legislação do país. Começo, no entanto, como crente, por recalcar aqui a relação dos frutos que Deus quer para os habitantes da sua "vinha" que encontrei no sitio dos Dehonianos: "a justiça, o direito, o respeito pelos mandamentos, a fidelidade à Aliança". Na verdade, qualquer vinhateiro do sistema deveria fazer, com toda a sua energia e a sua vontade, com que houvesse na quinta que administra, em nome do seu povo e sem prejudicar as demais quintas que compõem o todo do globo que é a Terra, a justiça, o direito, o respeito pela lei fundamental e a fidelidade aos compromissos assumidos quando da habilitação à governação. Como se constata, há um analogia perfeita entre as coisas de Deus e a dos homens. E como as orientações e os conselhos que nos chegam de Deus são bons e úteis, por que não os homens utilizá-los como modelo? Respeitariam melhor a relação com os súbditos e com os demais povos, ou não seria assim? Pergunto porque pode haver quem não concorde, mesmo de entre os meus leitores. Se os homens conformarem as suas acções com as orientações que nos chegam a todos do Alto, ainda que de diferentes formas e credos próprios, o mundo podia ser melhor e permitir que os seus habitantes pudessem ser felizes.


 

No cuidado com a "vinha" não deve haver lugar a oportunismos e arbitrariedades como se aquela fosse património próprio e não de todos. As contrapartidas de uma eleição não podem ser, em caso algum, o egoísmo, a injustiça e a voragem por interesses particulares ou de grupos minoritários. Não é aceitável a apropriação, em benefício próprio, da "vinha" que alguém administra em nome de uma população, e muito menos a apropriação de "vinhas" administradas por outros "vinhateiros". A usurpação não deveria ter lugar no mundo porque é a negação absoluta dos bons frutos de uma verdadeira "Vinha das Nações". Quem administra o património comum deve ser responsável, nobre e leal para com os administrados, onde não cabe a corrupção nem sequer a falta de empenho, um comportamento venial, ainda assim prejudicial à felicidade das populações e, em particular, das mais vulneráveis.


 

Será que a vinha de cá, deste "jardim da Europa à beira-mar plantado", para utilizar parte das palavras da última estrofe do poema "A Portugal", do poeta Tomás Ribeiro, publicado na segunda metade do século XIX, tem sido bem administrada ao longo dos anos? E hoje, o que podemos dizer do estado da vinha e sobre os vinhateiros? Tenho expressado aqui a minha opinião sobre diversos aspectos, tanto no que respeita a alguns dos actores como quanto ao grau de credibilidade que tem deixado patente junto dos eleitores e a algumas posições sobre assuntos internacionais. Se tivesse que valorar o desempenho, diria que tem sido negativo.


 

Tenho para mim que na "Vinha das Nações" a "plantação" em certas geografias, muito por causa dos "vinhateiros" em exercício, tem sido devastada por arsenais mortíferos e decisões de administradores insensíveis, indiferentes à sorte dos que têm à sua guarda e, principalmente, dos que habitam do lado de lá dos muros que os próprios construíram com o propósito consciente e irresponsável de prejudicar e impôr uma nova ordem prepotente, além do mais, inconcebível, ilegal e injusta. A "Vinha das Nações" está a ser posta em risco.

Luís Martins

Luís Martins

7 outubro 2026