Quando se fala em Europa, sentimos frequentemente que ela está longe. A verdade é que a Europa não é só Bruxelas, é cada uma das nossas cidades, das nossas vilas e das nossas freguesias. É aí que as decisões que são tomadas a nível europeu ganham expressão concreta e é também aí que devem estar as preocupações que chegam às instituições europeias.
Foi com este mote que recebi com particular satisfação, no Parlamento Europeu, um grupo de autarcas do concelho de Braga. Mais do que uma visita institucional, esta visita foi uma oportunidade para conhecer de perto e por dentro o funcionamento das instituições europeias e discutir os desafios que hoje se colocam a Portugal e à União Europeia.
É importante que os nossos autarcas conheçam Bruxelas e que sintam aquilo que tratamos no Parlamento, na Comissão e no Conselho como sendo assunto seu. Não apenas porque grande parte das políticas públicas têm dimensão europeia, mas porque quem representa as suas populações deve conhecer os espaços onde são tomadas as decisões que lhes dizem respeito e que inevitavelmente moldarão a vida nos seus territórios.
Mas esta relação de proximidade tem de funcionar nos dois sentidos. É inegável a importância de aproximar os autarcas da Europa, mas é igualmente importante aproximar a Europa dos territórios e regiões portuguesas. São os presidentes de câmara, os vereadores e os presidentes de junta quem conhece os problemas concretos das pessoas, quem vive o difícil quotidiano de ser a primeira linha de resposta.
No processo de aproximação da Europa aos territórios, os autarcas podem ser verdadeiros Embaixadores da Europa em Portugal. No seu trabalho diário podem elencar o que a União Europeia faz, mas também transmitir às instituições europeias aquilo que os territórios esperam delas. Esta tão necessária simbiose fará florescer algo que há muito defendo: uma projeção europeia dos nossos territórios que se quer planeada e uma estratégia de desenvolvimento que assente nas necessidades reais de cada região.
Vejamos a diferença que isto faria no acesso a fundos europeus e projetos de desenvolvimento regional. Autarcas e decisores políticos mais despertos para a União Europeia e mais presentes, tornar-se-ão mais capazes de aceder às ferramentas e projetos de desenvolvimento hoje disponíveis. Se temos autarcas mais sensíveis para a Europa, com mais conhecimento e mais bem preparados, colheremos necessariamente os frutos disso nos nossos municípios.
Defendo, como sempre defendi, que a política europeia não se faz apenas nos corredores de Estrasburgo ou Bruxelas, mas também nos nossos municípios e freguesias – projetos finais do sonho de uma Europa das Regiões. É por isso que acredito que aproximar os territórios das instituições europeias é levar a voz dos territórios para Europa. E esse é um compromisso que devemos assumir.
Porque a Europa só será verdadeiramente próxima quando for capaz de ouvir quem está mais perto das pessoas e quando a sentirmos presente no nosso dia-a-dia. Desta forma, termino com a seguinte mensagem: A Europa é o Minho, e o Minho somos nós. Tão europeus e capazes de mudar a Europa quanto qualquer outro povo que connosco partilhe este desígnio.