Sabe-se que as folhas, em tempos de Outono não caem ao solo porque querem, mas porque chegou a hora de caírem. Enrugaram-se, desligaram-se do tronco, perderam a vida.
Desse modo, sabe-se que toda a Natureza é para envelhecer, uma vez que a marcha inexorável do tempo não pára. Terá a sua saúde e os seus males, para, finalmente, como as folhas outonais, lhe “chegará a hora”. E o homem, evidentemente, é Natureza também.
E vamos entrar neste Outono de 2026. Onde morrem milhares e milhares nestas loucas guerras que parecem não ter fim – e que o Papa Leão XIV tanto tem denunciado e solicitando a paz – tendo a par “a guerra” do envelhecer, porque lei natural da vida: porque há vida, houve o início da vida e, esta, a partir dessa realidade, caminha para o fim, cumprindo-se verdadeiramente a Lei da Vida, da Natureza ou do tempo, se se quiser.
A Natureza e Deus, nela e através dela, dão ao homem o necessário para que se cumpra a sobrevivência: saúde, vontade, opções (porque sabe escolher), persistência e inteligência.
O tempo já existia antes do homem. Logo, o tempo não deve nada a ninguém. Nem com milhões de moedas de ouro se pode recuperar um só momento da vida. Que maior perda, então, que a do tempo perdido!
Assim, o homem tem as etapas da vida: pausas, andropausas, electropausas, entre outras pausas. Mas tem obrigação o homem, pelos caminhos do envelhecimento, de procurar alegria, felicidade, promover bom ambiente no espaço em que vive, para enriquecer cada etapa vivida, uma vez que saído do útero materno, acabará no útero da terra: a tal “caída”, tal qual a folha no Outono.
Envelhecida a vida (do homem) como a folha outonal, obrigação tem a Humanidade de pensar e organizar toda a sua acção, por esta ser a única herança deixada aos homens e aos olhos de Deus. Logo, a vida e as pausas da vida, são obrigatórias viverem-se bem e com felicidade.
Também é obrigatório e lógico, que no tempo do nosso tempo se procure contrariar o tempo, defendendo-se dele o homem, isto é, atrasar o desgaste, procurando nesse tempo viver em paz e ser autor da própria história, sem rascunhos.
A velhice é possuidora de Luz, é sabedoria sem queimar. A luz ilumina caminhos e amornece corações. Assim, a sabedoria torna as pessoas mais atraentes, ainda que o tempo sulque a pele e traga as marcas ou os sinais da velhice.
Então, e como envelhecer é ter muitos anos ou muita juventude pela frente, é importante saber sempre mais e, perguntar o homem a si mesmo: que fiz, que faço, que farei (ainda) pelo Mundo e que pensam os outros de mim? É que as acções do homem são os únicos pertences, as quais nunca escaparão ao julgamento da Sociedade e de Deus.
Tudo envelhece. Só a força (interior) e as convicções não têm idade. Assim sendo, enquanto não chegar a realidade do tempo das folhas outonais, é preciso que o arco-íris da vida seja embrulhado pelo vento da ternura, da amizade, da confiança, do carinho e fazê-lo soprar forte, em furacão, para que outra mentalidade nasça entre os homens e, amanhã, a alegria, a Primavera/verão venham morar perto da vida. Há que colher pois, a sabedoria e armazenar suavidade para o amanhã.
Sentindo-se a amargura da velhice, recolhamo-nos em Deus dizendo: “bem-aventurados os que sorriem e conversam comigo, sem nunca me avisarem: “você já me contou isso várias vezes”; bem-aventurados os que me fazem sentir amado, tratando-me com respeito, com caridade e me ajudam a atravessar a rua; bem-aventurados os que me amenizam os últimos anos, me transmitem coragem e me fazem pensar em Deus…, porque quando entrar na Eternidade, junto do Criador, me lembrarei de todos”.
Finalmente e muito importante, é que cada homem não faça da sua vida um rascunho, pois pode não ter tempo de passar tudo a limpo. Mais: é necessário controlar o tempo e a sua marcha. Assim, todo o homem tem obrigação de pensar em que gasta e como passou o seu tempo, de forma que não pense que agora é tarde demais para ser reprovado.
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)