A, mais recente, publicação do Eurobarómetro sobre desporto e atividade física voltou a colocar Portugal numa posição particularmente preocupante já que 68% dos portugueses afirmam nunca praticar desporto ou exercício físico, contra 39% na União Europeia (EU).
Em 2010, apenas 33% dos portugueses diziam fazer exercício físico ou desporto com alguma ou bastante regularidade. Em 2014, o número baixou para 28%. Em 2022 passou para 26%. Atualmente são 32%. Pior do que Portugal, só a Hungria (26%), Grécia (25%), Roménia (20%) e a Bulgária (17%). As conclusões são do executivo comunitário, Eurobarómetro, realizado de quatro em quatro anos e coordenado pela Comissão Europeia. O estudo define “exercício físico” como caminhar, nadar, correr, ir ao ginásio ou fazer qualquer outra atividade que tenha como propósito específico, “fazer exercício físico”. E assim, 68% dos portugueses explicam que “nunca” ou “raramente” fazem atividade física ou praticam desporto. Pior cenário regista-se no setor feminino (80%). Portugal é dos países mais sedentários da União Europeia (UE), podendo verificar essas conclusões no relatório divulgado esta semana, explicando ainda que o sedentarismo está generalizado a todo território da UE, o que indica que a mensagem sobre a importância do desporto e da atividade física, para a saúde e bem-estar, ainda não chegou a toda a população. Apesar de sermos o país onde a população afirma fazer menos atividade física, tem-se registado uma ligeira melhoria, em comparação com o último Eurobarómetro divulgado em 2022. No nosso país o fosso entre homens e mulheres é assustador sendo o dobro da média europeia. Caminhamos pouco, exercitamo-nos ainda menos! O facto de estes números serem preocupantes urge a necessidade de se investir nesta área. O que estamos a fazer nos últimos anos em Portugal não está a funcionar. Há outras forças que estão a encaminhar os portugueses para o sedentarismo. Pior do que Portugal, neste campo, só o Chipre. E porque não fazemos mais exercício físico ou desporto com mais regularidade? Para 31% dos portugueses o principal motivo é a falta de tempo, motivos profissionais, escolares ou familiares e para 39% dos inquiridos é a falta de motivação. Apesar de reconhecer que esta é uma tendência atual das políticas de promoção da atividade física e do desporto penso que há muito a fazer, ainda. Apesar do cenário negativo tem-se tentado reformular a nossa forma de ver a atividade física e o desporto, procurando também alterar um pouco aquilo que é cultural. Temos de mudar essa mentalidade! Hoje em dia andar a pé e caminhar, são formas muito importantes de termos uma população mais ativa e saudável. A inatividade física é um dos três principais fatores de risco comportamentais para as doenças que mais custos tem para a saúde. Relativamente àquilo que custaria investir na atividade física e no desporto, em relação aos ganhos que tem, é um dos investimentos mais eficientes que um país pode fazer. Creio que a solução passaria também por motivar os mais jovens para a prática do exercício físico, desde bem cedo! O alerta está dado e se nada se alterar não conseguiremos sair do fundo!..
Estamos a fazer menos exercício
Luís Covas
2 outubro 2026