Em muitas paróquias, o início do ano catequético é vivido como uma operação de regresso: inscrições, horários, grupos e procura de catequistas. Mas isto pode ocultar a pergunta decisiva: que comunidade encontrará quem chega? A catequese não começa quando uma criança abre o «catecismo». Começa no modo como é recebida, na verdade das celebrações, nas relações e na coerência entre aquilo que a Igreja anuncia e aquilo que vive.
Durante demasiado tempo imaginou-se a catequese como um serviço especializado, entregue a quem transmitia conteúdos e preparava para os sacramentos. O abandono posterior mostra, porém, os limites deste modelo. Nenhum catequista, por mais competente que seja, consegue iniciar alguém numa comunidade ausente. Pode ensinar as palavras da fé, mas não pode, sozinho, oferecer a experiência de um povo que reza, celebra, cuida e vive segundo o Evangelho.
O início do ano catequético deveria, por isso, ser também uma avaliação da capacidade iniciadora da comunidade. Conhecemos as crianças, os adolescentes e as famílias que chegam? Escutamos as suas perguntas? As celebrações ajudam a entrar no mistério ou destinam-se sobretudo aos já habituados? Os mais novos encontram adultos cuja vida torne credível o que lhes é anunciado? Depois dos sacramentos, existe uma comunidade onde possam continuar a crescer, ou resta apenas a memória de uma cerimónia?
Estas perguntas são incómodas porque impedem a explicação mais fácil: culpar as famílias, a escola, os telemóveis ou a secularização. Esses fatores contam, mas não dispensam a Igreja de avaliar as suas práticas. A repetição do abandono não revela apenas inconstância dos destinatários; pode também indicar que o percurso foi entendido como preparação para um momento, não como aprendizagem de um estilo de vida.
Uma comunidade iniciadora não transforma os pais em motoristas. Escuta-os, envolve-os e permite-lhes redescobrir a fé sem os humilhar pela distância do seu percurso. Não reduz os jovens a um problema de linguagem resolvido com vídeos e aplicações. Leva a sério as suas perguntas sobre liberdade, sofrimento, justiça e futuro, bem como a sensibilidade às incoerências. E não pede aos catequistas aquilo que se recusa a assumir coletivamente: testemunhar que a fé pode tornar a existência mais humana e disponível para os outros.
A responsabilidade comunitária concretiza-se em gestos reconhecíveis: uma liturgia cuidada, onde a palavra de Deus seja bem proclamada e haja espaço para o silêncio; adultos disponíveis para acompanhar e escutar; ligações entre a catequese, a oração e o serviço aos mais frágeis; comunidades onde as gerações não vivam em circuitos separados. Como em toda a educação decisiva, transmite-se também a forma de vida que se torna visível. A iniciação cristã acontece quando uma criança deixa de ser apenas um nome numa lista e a fé deixa de ser uma matéria que se frequenta, para se tornar uma vida que se recebe, aprende e partilha.
Também os catequistas precisam de ser acompanhados. Não podem ser recrutados à pressa, entregues a um manual e deixados sozinhos perante desafios humanos e espirituais. Formá-los não é apenas ensinar técnicas; é ajudá-los a crescer como testemunhas, pessoas de oração e acompanhantes capazes de respeitar os ritmos sem desistir da exigência do Evangelho.
Talvez o maior desafio seja inverter a pergunta habitual. Em vez de perguntarmos apenas como fazer para que crianças e jovens permaneçam na Igreja, deveríamos perguntar se lhes estamos a oferecer uma comunidade onde valha a pena permanecer. A catequese será fecunda quando toda a comunidade aceitar deixar-se interpelar por aqueles que chegam: pelas suas perguntas, feridas e sede de autenticidade. O futuro da transmissão da fé não depende somente de melhores programas. Depende de comunidades que aceitem tornar-se aquilo que anunciam.