A primeira sessão plenária após a interrupção de verão foi marcada por momentos particularmente importantes. O primeiro, o debate sobre o Estado da União, apresentado pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O segundo, a intervenção de Mark Carney no hemiciclo do Parlamento Europeu.
Numa semana em que muito se falou sobre a aproximação do Canadá e da União Europeia, a intervenção do Primeiro-Ministro canadiano podia ser entendida como um resultado das circunstâncias atuais. Contudo, ficou claro esta é uma parceria que assenta em raízes profundas.
O Canadá e a Europa partilham valores e uma história. A democracia, a liberdade, o Estado de Direito e a dignidade humana são muito mais que valores comuns. São princípios fundamentais das nossas sociedades e que temos o dever e a responsabilidade de preservar.
Mark Carney foi objetivo quando afirmou que “não somos aliados apenas nos bons momentos”. A EU e o Canadá são parceiros porque acreditam nos mesmos valores, E esta é a base comum que torna a parceria entre europeus e canadianos tão relevante.
A atual conjuntura política e mundial torna esta aproximação mais necessária, mas não é a sua razão de ser. As raízes que unem ambos os lados do Atlântico já remontam a tempos anteriores às guerras tarifárias e comerciais, às atuais tensões geopolíticas ou à crescente competição entre potências. A ambição é aprofundar uma relação que já existe, porque também existe uma visão partilhada da sociedade que queremos construir.
O discurso do Primeiro-Ministro canadiano recorda-nos a todos que não devemos procurar parceiros apenas quando enfrentamos dificuldades.
É esta dimensão que devemos preservar e aprofundar. Estou certo de que uma parceria mais forte entre o Canadá e a UE se traduzirá numa maior cooperação económica, comercial e estratégica, mas nos valores que partilhamos.
Num contexto marcado por incerteza, é profundamente reconfortante saber que, de ambos os lados do Atlântico, existem povos que continuam a afirmar que a democracia é o único regime admissível, que a dignidade humana deve ser respeitada, que a liberdade é um valor essencial, e a proteção pelo ambiente é uma responsabilidade comum.
Estes são valores que são europeus, canadianos, e que nós queremos que sejam globais.
Existem discursos que não são mais do que o momento. Outros conseguem olhar para além dos momentos e projetar o futuro. O discurso de Mark Carney pertence, sem sombra de dúvida, a esta última categoria.