Gostaria de partilhar com o leitor algumas reflexões sobre o pretenso vandalismo ao gabinete do CHEGA.
Como é que o CHEGA, o único partido que, face à devastação e eventual assalto ao gabinete do seu líder no Parlamento, tem a possibilidade de fazer recair sobre si mesmo uma suspeita generalizada – sem provas até ao momento –, de que foi tudo criado e forjado pelos próprios ?
Há muitos motivos para isso, todos devidos ao comportamento de André Ventura, de muitos responsáveis e deputados do CHEGA:
– Quando o silêncio de André Ventura e do CHEGA é total sobre o vandalismo do seu gabinete, sendo que fazem barulho por tudo e por nada e ele responde sempre muito nervoso e sobressaltado sempre que lhe fazem perguntas sobre o seu comportamento ?
– Quando pretende justificar que não fala do assunto porque há temas mais importantes para o país do que dele próprio, sendo que o que está em causa não é nada de pessoal, mas antes um ataque sem procedentes a um órgão de soberania e à sua segurança do Parlamento, altamente violadores de um Estado de Direito Democrático?
– Quando nas eleições para o Presidente da Assembleia da República faz um acordo com os outros partidos e a sua bancada depois não o respeita?
– Quando é o CHEGA o campeão da ampliação e difusão de factos falsos, mentirosos e inverídicos, seja em intervenções no Parlamento, sobre as mais diversas matérias, seja em vídeos nas redes sociais, mentiras essas desmascaradas?
– Quando finge entrar nos gabinetes dos deputados de outros partidos, até em dia de ausência de trabalhos parlamentares, acusando falsamente de não estarem a trabalhar, quando muitos estavam de facto a trabalhar e quando o trabalho de um deputado também é feito, muitas vezes, fora do Parlamento?
– Quando faz propostas que, aplicadas no terreno, fariam da bancarrota provocada pelo PS uma simples brincadeira, como é o caso das pensões equivalentes ao salário mínimo nacional, quando quer baixar a idade da reforma ou quando quer baixas de impostos sem critério que dariam um rombo enorme nas nossas contas públicas e fariam os portugueses passar por anos infinitos de austeridade e dificuldade?
– Quando parece que tem algo a temer quando ataca um ministro que, quer pela sua atuação como ministro, quer pela sua atuação na Polícia Judiciária, perseguiu corruptos, combateu o negócio da droga, traficantes, ladrões e toda a espécie de criminosos? Então não deveria ser esse o ministro que o CHEGA deveria apoiar fortemente, em coerência com o que diz que defende, ao invés de o atacar por comportamentos que nada tem a ver com funções governativas ?
– Quando diz que, aquando do pretenso vandalismo no seu gabinete, que lhe roubaram importantes provas que lhe fizeram chegar contra um responsável governativo, mas não diz quais são essas provas, nem as pede novamente para lhe serem reenviadas?
– Quando um seu deputado, que, pelos vistos faz vídeos para o TIK TOK às 7 da manhã no Parlamento, contraria – a acreditar nas notícias – ordens expressas dos agentes de segurança no local para não filmar o pretenso vandalismo no seu gabinete e para o não partilhar, com total abandalhamento das provas e dos indícios para encontrar os autores do crime?
– Quando faz moções de censura por tudo e por nada e por motivos que nada tem a ver o consagrado constitucionalmente para a sua apresentação ?
– Quando os deputados do CHEGA votam de determinada maneira nas comissões parlamentares mas no plenário votam em sentido contrário ?
– Quando afirma no Parlamento apoio claro a medidas importantes para o país e, no dia seguinte, vota contra elas, atrasando o nosso desenvolvimento social e económico?
– Quando cria um governo sombra com pompa e circunstância que, até agora não apresentou nenhuma medida válida para o país?
– Quando faz de conta que não temos hoje, a reforma estrutural das políticas de imigração, mas finge que a mesma não existe e continua a tentar fazer crer falsamente que o caos da política imigratória continua ?
Por tudo isto, e por muito mais, o CHEGA é hoje um partido desacreditado, sem coerência, que não pugna pelo interesse nacional mas apenas por interesses populistas na busca de resultados eleitorais, nem que tenha de sacrificar fortemente Portugal e os portugueses.
Não afirmo hoje aqui que o ataque ao gabinete do André Ventura foi falsamente criado, mas da suspeição generalizada na sociedade portuguesa da prática desse eventual grave crime, o CHEGA e os seus líderes só se podem queixar de si próprios.
Se se chegar à conclusão que o ataque ao gabinete de André Ventura foi forjado, só resta ao próprio, em nome da dignidade de Portugal e do Estado de Direito, a sua demissão e saída da vida política!