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RECOMEÇO DO ANO - DUAS SITUAÇÕES DE GUERRA INCOMODATIVAS

No meu último artigo, que foi escrito nos inícios do mês de Setembro, recordei o recomeço do ano laboral e académico, que em muitos países europeus se está a verificar. No entanto, não referi que nem tudo corre bem, porque assistimos, nestes dias, à triste realidade de haver duas realidades bélicas no activo.


 

A primeira já tem a duração de vários anos, opondo duas nações vizinhas. Embora a guerra tenha sido começada por um dos contendores, creio que duma forma um tanto simplista e com a convicção de que não passaria de uma “Operação militar especial”, segundo o dizer do seu iniciador, Vladimir Putin, a verdade é que já dura há vários anos, provocando, de parte a parte, largas centenas de milhares de vítimas, entre militares mortos, feridos e desaparecidos.


 

Isto sem contar com os estragos materiais que já causou, quer na Ucrânia, quer na Rússia, porque se o ataque começou com as forças enviadas por Moscovo, a verdade é que o país invadido tem respondido de uma forma resistente, destruindo bastantes fontes de riqueza do seu adversário.


 

A outra contenda, se não é uma guerra tão evidente como a que se acabou de referir, determinou que o Estados Unidos da América e Israel atacassem o Irão, causando-lhe certamente muitos estragos materiais e também humanos, recordando aqui que, no seu início , foi morto um dos principais dirigentes iranianos. No entanto, o país agredido continua a responder com ataques a locais onde os norte americanos têm bases militares, não se sabendo, de momento, apesar de algumas iniciativas que não têm sido muito convincentes em reestabelecer a paz, qual o futuro deste conflito.


 

Tudo isto carrega, com sinais sombrios, o recomeço deste ano. È triste que a guerra continue a ser um modo de resolver problemas entre países. As suas consequências são sempre lastimáveis e, muito frequentemente, imprevisíveis e injustas.


 

Que o ser humano necessite de recorrer à força bélica para resolver questões em que duas partes não estão de acordo é sempre lamentável, porque o que daí advém não pode prever-se com rigor. A lei do mais forte triunfa, muitas vezes, sobre o que não é justo, mas resolúvel através do diálogo. No entanto, é óbvio que quem sofre um ataque violento - e a guerra é issso mesmo - tem o direito de se defender. 


 

Teria Putin, ao começar a referida “Operação Militar Especial”, suposto que seria o maior responsável por tantas mortes e destruições que ela já causou até ao momento, quer ao povo russo, quer ao povo ucraniano? A mesma questão poderá pôr-se ao presidente norte americano e aos dirigentes israelitas, ainda que, neste caso, as informações sobre os resultados sejam mais difusas. 


 

As guerras resolverão as questões duma forma convincente? A lei do mais forte nunca foi a melhor forma de reger a nossa conduta. Sempre dá lugar a situações que não eram previsíveis e podem tonar-se profundamente inaceitáveis e desumanas. Isto não quer significar, porém, que não haja o direito de defesa, sempre que o ataque exija de quem o sofre uma reacção adequada. Seja como for, não podemos deixar de lamentar que, no recomeço do ano laboral e lectivo, haja duas situações bélicas não resolvidas por uma paz tão desejável.

P. Rui Rosas

P. Rui Rosas

14 setembro 2026