Aqueles que não podem recordar o passado estão condenados a repeti-lo. (George de Santayana -1863/1952).
Cá por mim para além de poder recordar outros tempos, também me sinto com a liberdade de os referir. Como, por exemplo, os de quando eu era miúdo. Nessa altura, eram algumas as vezes em que surgia a chamada “bulha” entre a pequenada da, então, Escola Primária. A qual, regra geral, se iniciava quando um dos alunos desavindos molhava o dedo com saliva e tocava com ele na orelha do outro. Ao atrever-se a fazê-lo abria uma espécie de caixa de pandora em termos de pancadaria de que, quase sempre, resultavam alguns hematomas e uns arranhões em ambos. Porém, o mais certo era na peladinha da bola seguinte continuarmos todos amigos e felizes.
Já os diferendos entre adultos, outrora como agora, são algo bem pior, sobretudo quando há recurso a artefactos perigosos. Daí, que uma faca a ser desferida ou bala disparada sobre o corpo de alguém possa virar crime e tragédia. Então, quando se trata de conflitos entre nações a coisa não só se torna mais preocupante e complexa, como imprevisível. E mesmo que à frente delas estejam dirigentes eleitos e, porventura, conscientes cada contendor tenta usar o armamento mais sofisticado e mortífero de que dispõe.
Aliás, como continuamos a ver na invasão militar da Federação Russa à Ucrânia, na incursão armada de Israel em Gaza e no Líbano, na incisiva intervenção bélica dos Estados Unidos no Irão, de onde vão resultando, entre militares e civis, milhares de pessoas mortas e outras tantas, ou mais, feridas e estropiadas. Para o que contribuem os novos aviões, tanques, navios, drones e mísseis mais capazes e precisos nos ataques. Tudo isto, a roçar o início da 3ª guerra mundial, esquecendo-se esses políticos das consequências havidas de outras guerras, cujo historial nos é relatado por quem, vindo desse passado histórico, teme voltem a repetir-se.
Ora, neste emaranhado de verdades, mentiras, guerras híbridas com sabotagens e provocações, de parte a parte, instalou-se a confusão na mente do comum dos mortais. Já que são tantas as fake news, guerras eletrónicas e imagens forjadas pela IA que se torna extremamente difícil sabermos em quem acreditar. Então, quando não são tidos em conta os malefícios advindos das teimosias d’outrora, nem vemos na Comunicação Social os supostos entendidos em geopolítica a alertarem com insistência para eles, a coisa piora.
No meio de tudo isto há algo que deveria preocupar, seriamente, as pessoas. Porém, o que vejo é: o pessoal a pensar que os males só acontecem aos outros; a não nutrir qualquer temor com a guerra às portas da Europa, nem apavorado com a invasão islâmica em marcha. Já quanto às inolvidáveis bombas atómicas lançadas, em 1945, sobre Hiroxima e Nagasaki, no Japão, acham não serem para aqui chamadas. Preferindo ignorar a existência no mundo de, segundo a ONU, 12.500 armas nucleares e 5.428 ogivas da mesma espécie. Rússia, EUA, China, França, Reino Unido, Paquistão, índia, Israel e Coreia do Norte são seus principais donos e senhores. Só faltando saber-se se o Irão vai conseguir enriquecer o urânio a 60%, para se juntar à referida lista. E não será para fazer cócegas nos pés dos inimigos.
Pois bem, se aquilo que a humanidade espera das conversações entre os atuais litigantes é a paz, o resultado é bem desolador: temos Ormuz com petróleo a conta-gotas, mortandade, destruição e cada qual a pensar ter o rei na barriga. E assim se vai adubando ódio, gastando milhões e matando a esperança das almas com fome. Pelo que só falta saber quem será o primeiro (como a garotada d’outrora a molhar a orelha do outro) a mexer no terrível “vespeiro” do nuclear/atómico. Há quem ameace, dizendo que espantar as vespas de um átomo é uma opção inevitável. E quem ache que tal seria o apocalipse. O certo é que, dadas as posições extremadas, só nos resta a todos rogar a Deus para que nos livre de um louco que cometa tal loucura.