twitter

Um País em transformação lenta  …

A vida só pode ser compreendida, olhando para trás, mas deve ser vivida

                                   olhando para a frente.

                                                    Soren Kierkegaard( 1813-1885)

   Desde há muitos anos, Portugal tornou-se um País de” doutores”. Talvez a melhor aposta do 25 de Abril foi a democratização do ensino. Somos dos países mais baratos no ensino oficial, mas cuja qualidade é muito discutível. Não seria mais rentável o ensino profissional, agora enriquecido com o digital?

      Quisemos sempre ser inovadores, importando modelos didáticos e pedagógicos de países mais desenvolvidos, mas o resultado não terá sido o esperado. Talvez se deva à formação universitária deficiente nos últimos anos , onde a investigação deixou de ser prioritária, e não se investiu tanto na qualidade como na quantidade.

   Os professores foram sobrecarregados com administração, respondendo a items que têm como função aferir os alunos em parâmetros pessoais, sociais e intelectuais. Tudo isso é importante para descobrir uma personalidade, educar para a sociedade, mas muito tem a ver com o estrato social, socioeconômico, familiar, político, e até religioso do aluno.

   Pode-se ter grandes ambições na instrução, mas ,se não for acompanhada pela formação e educação de valores, tudo ficará aquém dos objetivos sociais, familiares, políticos e econômicos. Com todo o investimento e ajuda que se fez após  Abril, tínhamos de ter outro resultado e um Pais muito mais evoluído e educado. Reconheço que muitos fatores impediram esse desenvolvimento, no entanto, tenho de confessar que os diferentes governos que tivemos, não estiveram à altura das grandes tarefas que lhes incumbiam para o desenvolvimento  e bem-estar do povo.

   Hoje tudo se faz para que subam as percentagens de escolaridade e literacia a diversos níveis. São dados privilégios nos transportes, residências  universitárias, diminuição de propinas e bolsas de estudo. Este investimento será compensado no futuro? Ou preparamos quadros para exportar para o estrangeiro  de uma emigração mais qualificada, que não serve o País, e se limita a usufruir de regalias, com os impostos- muito altos-, dos que trabalharam ,economizaram e se organizaram, ou ate enriqueceram com o esforço e talento que usaram para ter uma vida mais confortável? Assistimos a trabalhadores mais qualificados que os patrões, no entanto serão mais produtivos, de mais talento original, e ambiciosos?

 A escola terá de descobrir e desenvolver os mais capazes, mas numa perspetiva patriótica e de educação para o bem comum global. Para isso haja mais ética e moral, no entanto esta deve ser aprendida também nas escolas num horizonte mais nacional e completado pelos bons exemplos comunitários, com mais ciência, transformação e inovação empresarial. De contrario, continuaremos um pais pobre, de emigrantes e com salários baixos…a receber imigrantes como novos “escravos” sempre a viver numa áurea mediocridade. Até quando?...

default user photo

Rosas de Assis

11 setembro 2026