twitter

Asma: conhecer a doença para a controlar

A asma é uma doença respiratória inflamatória crónica das vias aéreas, que se manifesta com sintomas como falta de ar, tosse, pieira e aperto torácico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta constitui um importante problema de saúde pública, afetando mais de 260 milhões de pessoas e causando cerca de 450.000 mortes por ano no mundo. Em Portugal, estima-se uma prevalência de cerca de 7% nos adultos.
Apesar da sua elevada prevalência, a asma continua a ser frequentemente subvalorizada ou insuficientemente controlada. Conhecer a doença, os fatores que agravam os sintomas e as opções terapêuticas disponíveis é fundamental para melhorar o seu controlo e a qualidade de vida das pessoas com asma.
Diversos fatores externos podem desencadear sintomas de asma, incluindo aeroalergénios (pólenes e ácaros), alguns fármacos (especialmente anti-inflamatórios), agentes irritantes (fumos, poluição, odores intensos), exposição ao frio e exercício físico. A identificação destes fatores é essencial para o controlo da doença, permitindo adotar medidas de prevenção e evicção.
Para além do tratamento da inflamação brônquica, é necessário reconhecer e tratar patologias associadas à asma, como rinite, sinusite com ou sem polipose nasal, obesidade, síndrome da apneia do sono e refluxo gastroesofágico. Estas condições podem agravar os sintomas e dificultar o controlo, ao aumentarem a inflamação das vias aéreas ou comprometerem a função respiratória.
As recomendações da Global Initiative for Asthma (GINA) para 2026 refletem o princípio do slogan “Tornar os tratamentos inalatórios acessíveis para todos”, traduzindo-o em orientações clínicas concretas. É fortemente desencorajado o uso isolado de broncodilatadores de curta duração (SABA), por não atuarem sobre a inflamação subjacente e aumentarem o risco de exacerbações e mortalidade. Assim, recomenda-se que todos os doentes, incluindo os com formas ligeiras, tenham acesso a terapêutica anti-inflamatória com corticosteroides inalados (ICS). As guidelines destacam ainda a importância do acesso equitativo a estes tratamentos, garantindo não só a sua disponibilidade, mas também a acessibilidade económica, reduzindo desigualdades, sobretudo em contextos de recursos limitados.
Outro aspeto fundamental é a educação do doente, que melhora a compreensão da doença e dos sintomas, aumenta o conhecimento sobre os medicamentos e fatores de agravamento, e permite uma gestão mais eficaz. A eficácia do tratamento depende da correta utilização dos dispositivos inalatórios e da adesão terapêutica, sendo essencial que os profissionais assegurem formação adequada e envolvam o doente na escolha do inalador, adaptando-o ao seu perfil e preferências. Importa salientar que muitos casos classificados como asma grave podem corresponder a doença mal controlada por falhas no acesso, adesão ou técnica inalatória.
Em suma, as guidelines de 2026 reforçam a importância do tratamento da asma, assente no uso universal de terapêutica anti-inflamatória inalada, na eliminação do uso isolado de SABA e na promoção da equidade no acesso e educação dos doentes. Respirar melhor é possível com o acompanhamento e tratamento adequados, envolvendo o doente e munindo-o das melhores ferramentas e conhecimento sobre a sua doença.

default user photo

Inês Brito Gonçalves e Mariana Conde

4 setembro 2026