Acredito numa arte que não se fecha.
Uma arte que se aproxima, que escuta, que cria pontes e que encontra espaço em cada pessoa, independentemente da sua idade, condição ou percurso.
É nesse lugar que encontro uma das dimensões mais importantes do meu trabalho: a inclusão através da arte.
Porque criar também é pertencer.
Quando alguém é convidado a experimentar uma cor, uma matéria, uma imagem ou uma ideia, está a ser-lhe oferecida mais do que uma experiência artística.
Está a ser-lhe reconhecido um lugar.
Um lugar onde pode participar, expressar-se, imaginar e deixar uma marca.
É por isso que acredito que a arte deve chegar a todos.
Às crianças e aos adultos. Às escolas e às universidades. Aos hospitais, às bibliotecas, às comunidades e às instituições. A quem já vive próximo da arte e, sobretudo, a quem ainda pensa que ela não lhe pertence.
A arte pode ser uma linguagem de inclusão porque não exige que todos sejam iguais para poderem participar.
Pelo contrário.
É precisamente na diferença dos olhares, das experiências e das histórias que a criação se torna mais rica.
É também deste princípio que nasce Fragmentos da Felicidade.
Um projeto que procura encontrar e partilhar pequenos lugares de beleza, memória, natureza, emoção e encontro.
Fragmentos que podem surgir num gesto, numa paisagem, numa lembrança, numa conversa ou simplesmente na possibilidade de alguém parar e olhar.
A felicidade, aqui, não é uma imagem perfeita.
É feita de fragmentos.
E talvez a arte seja também isso: a capacidade de reconhecer valor naquilo que, à primeira vista, poderia passar despercebido.
No meu percurso, tenho procurado aproximar a arte de diferentes pessoas e contextos, cruzando criação, educação, ciência, comunidade e humanismo.
Porque acredito que a arte não deve apenas ser contemplada. Deve poder ser vivida.
Deve criar participação.
Deve despertar perguntas.
Deve dar voz.
Deve permitir que cada pessoa encontre a sua própria forma de estar dentro dela.
É nesse encontro que a arte ganha uma dimensão maior.
Deixa de ser apenas objeto e passa a ser relação.
Deixa de ser apenas expressão individual e torna-se espaço de partilha.
E talvez seja aí que reside uma das suas maiores forças:
Aa arte pode lembrar-nos que todos temos algo para dizer, algo para criar e uma história que merece ser vista.
É por isso que continuo a acreditar numa arte aberta, próxima e inclusiva.
Uma arte que não exclui.
Uma arte que aproxima.
Uma arte que cria pertença.
Uma arte para todos.
Fragmentos da Felicidade – porque também existe felicidade quando encontramos um lugar onde sentimos que pertencemos.