Já algumas vezes escrevi neste espaço, do DM, sobre ti. E já muito ouvi falar do estado doentio e deplorável em que por vezes te encontras, sem tratamento adequado à vista. Sabes o que te digo? Não voltes a acreditar nos Autarcas que te prometem uma vida melhor, mais limpa, natural e saudável, eles só querem é viver às tuas custas, ou seja, servir-se de ti para subirem ao poleiro.
Digo-o, porque desde 1976, ano em que a nossa bimilenária Bracara Augusta e dos Arcebispos deu os primeiros passos no Poder Autárquico todos te vêm prometendo, como deves estar recordado, mundos e fundos. Tais como margens dignas, fluidez, asseio, limpeza e até hoje é o que se vê. Ou seja, os Edis eleitos têm sido lestos em jurar a pés juntos que te vão cuidar, proteger e o que sentes? Constantes descargas de líquidos nauseabundos no teu leito.
Queres o conselho de um cidadão escaldado? Não acredites demasiado nessa gente da política Autárquica. Podia, até, dar-te uma panóplia de exemplos de tudo quanto foi propalado para teu bem, mas de que não tiveste qualquer proveito, nem a cidade. Olha, um deles é o tão badalado telefone SOS, instalado no Edifício Municipal. Só que se vai a ver e não tem evitado os despejos de porcaria nas tuas hídricas entranhas.
É que, sabes, há iniciativas plantadas pela gestão Municipal que parecendo produtivas, tal como árvore do inovador Provedor do Munícipe, nada se sabe dos seus frutos. Pelo que oxalá ao anunciado congénere do Idoso não lhe venha a suceder o mesmo. Coisas bonitas de anunciar nos jornais, mas feias nos resultados. Afinal, não passam de medidas vistosas para entreter um povo que já lavou no rio e – como versejava o saudoso poeta Homem de Afife – “talhas com teu machado as tábuas do teu caixão”.
Porém, Rio Este, ainda estás vivo e não deixes que te façam a folha. Sim, porque que nos fazes reviver o passado e contar certas estórias. Como a do meu parente moleiro que ao atravessar-te de burro – pelo passadiço dos Galos numa noite de tempestade e com um grãozito na asa – caiu no turbilhão das tuas águas limpas, cristalinas e morreu. Ou seja, teve um final de vida junto dos cardumes de peixes que, então, abundavam. Pois se fosse hoje, em dia aziago, afogava-se no esterco e nos químicos que são jorrados sobre ti. Pois olha, se antes te dei um conselho sobre os políticos, agora vou-te contar algo sobre o carácter deles. Sim porque, como sabes, há outros teus irmãos por esse Portugal adentro a sofrerem do mesma incúria e desmazelo das autoridades.
Conta-se que um Edil morreu e foi para o Céu. Só que ao chegar ao pé de S. Pedro encontrou as paredes da repletas de relógios parados. “Curioso” – perguntou ao S. Pedro – “para quê tantos relógios parados?”. S. Pedro com toda a calma explicou: – “estes relógios medem quanto os seus donos mentiram na terra. Olha, este aqui é o do Padre Cruz, nunca mentiu e os ponteiros não andaram; este outro, é o do Santos da Cunha, os ponteiros andaram um pouco, dado pouco ter mentido”. – “Mas e o meu, S. Pedro, onde está o meu? “. Calma! O teu estou a usá-lo na sala lá de casa como ventilador de teto.
De facto, te digo meu caro e velho amigo Rio Este, esta gente da nossa política local tem demonstrado que não te respeitam como idoso curso d’água, nem os seres vivos do teu habitat. Fazem de conta que se interessam por ti, mas só pelo S. João ou sempre que há eleições te lavam a cara e, às vezes, muito mal lavada. O mesmo se passando com o Rio Torto e a Ribeira de Panoias, já para não falar do Cávado, fonte natural de vida.
É que o pessoal só barafusta quando as torneiras não pingam. Se não é assim, vê o que se passa na Amadora. Uma Câmara Municipal cuja Edil-mor, uma tal Inês de Saint-Maurice, nada faz pela água. E sabes porquê? Porque as condutas aquíferas não se veem, nem se consta que dão votos. Ai se não fossem os pequenos rios, como tu, que fazem viver os grandes e o mar! De certeza que todos sucumbiríamos à sede, políticos ou não.