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Seriedade em tudo e com todos 2026

1.Tenho ouvido falar – não muitas vezes, é certo – em ética republicana. Que é isso?

Considero a ética um conjunto de princípios, de normas e de valores que por todos devem ser observados e sem o que não poderá haver uma sã convivência.

Prefiro falar simplesmente de ética, sem quaisquer qualificativos, que deve ser respeitada por todos e em todas as circunstâncias, sejam republicanos ou não; crentes ou agnósticos.


 

2.Não se agirá eticamente se não se atuar com seriedade, e a seriedade é uma das coisas de que, em minha opinião, muito carece a sociedade atual.

Quem ocupa lugares de responsabilidade há de saber dar, com a forma como age, testemunho de seriedade e de honestidade.

Mandar não é ter o direito de passar por cima de tudo e de todos e de ignorar as regras de jogo previamente estabelecidas. Que se não atropele a ética a coberto da rapidez ou da eficácia.

Isto pressupõe, como é evidente, que para tais lugares se escolham pessoas sérias. Sadiamente escrupulosas, direi mesmo. Sem indivíduos sérios como pode haver seriedade?


 

3.A seriedade deve estar em toda a parte. Quando, por exemplo, se decide do estado de vida. Quando se resolve casar ou ficar solteiro. Quando se resolve casar com determinada pessoa. Quando se decide ser pai ou ser mãe.

É preciso seriedade nos meios de trabalho, quer se trate de empregados quer de empregadores. A seriedade passa pela forma como as pessoas se tratam umas às outras, pelas condições e pelo ambiente de trabalho, pelo modo como o trabalho é efetuado.

É preciso seriedade no mundo dos negócios, onde a regra de ouro deve ser a de não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós.


 

4.É preciso seriedade na gestão dos dinheiros públicos, adotando uma criteriosa escala de valores e de prioridades e colocando sempre o bem comum acima dos interesses individuais ou partidários.

É preciso seriedade na política. Na forma como se governa e como se faz oposição. Na forma como se debatem documentos importantes para a vida da comunidade, o que pressupõe que, antes de se defenderem ou atacarem, sejam devidamente estudados.


 

5.É preciso seriedade na forma como se mobilizam os cidadãos para que se manifestem publicamente a favor ou contra determinada causa. Que primeiro haja a preocupação de os informar devidamente. Que se contribua para que cada um forme bem a própria consciência e atue de harmonia com ela.

A seriedade exige que se obedeça mais à própria consciência bem formada do que à disciplina partidária.

E que mobilizar não seja sinónimo de arrebanhar, já que os cidadãos devem ser tratados como pessoas e não como carneiros.


 

6.A seriedade exige que se não faça pela calada, através de jogadas de bastidores, o que deveria ser realizado com a maior transparência. Que não haja medo de promover concursos públicos, com regras que sejam do conhecimento público, para escolher os indivíduos que vão servir a comunidade. Que se selecionem os melhores: os mais competentes, os mais conscientes, os mais dedicados, mesmo que não sejam do nosso partido ou até não tenham partido nenhum.


 

7.A seriedade exige que se não tenham dois pesos e duas medidas. Que se não mude de critério ou de bitola segundo as conveniências. Que se reconheça o bem que os outros fazem e o mérito dos que não integram o nosso clube de amigos.

Numa época em que tanto se constrói, a seriedade exige, por exemplo, que os loteamentos obedeçam a regras que sejam as mesmas para todos e se não convertam numa forma de enriquecer desonestamente.


 

8.A prática da seriedade principia na família e na escola, com o testemunho de vida e a exigência de que tudo se faça bem feito.

Que a seriedade comece por se mostrar na forma como se fazem pequenas tarefas doméstica, como se arrumam as próprias coisas, como se fazem os deveres escolares.

Silva Araújo

Silva Araújo

13 agosto 2026