No dia 12 de agosto de 1936, nasceu, em S. João Batista de Gondar, Domingos da Silva Araújo. Embora para muitos seja conhecido como Monsenhor Silva Araújo ou Padre Domingos, para mim é o tio Domingos. Padre, poeta, escritor, professor e jornalista são as áreas às quais se dedicou toda a sua vida.
Filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, oriundo de uma família humilde, cedo saiu da sua aldeia natal para ingressar no seminário.
Tudo isto é do conhecimento público e, por diversas vezes, foi alvo de justas homenagens pelos seus concidadãos. O que provavelmente não é do conhecimento geral são as suas caraterísticas de homem de família. Sempre muito dedicado e atento a todos: irmãs, cunhados e sobrinhos. Tinha e tem uma especial devoção pela mãe, a minha avó Zefinha. Tudo fez para lhe proporcionar uma vida melhor com forma de agradecimento por tudo o que ela fez por ele e, provavelmente, pela comunidade a que pertencia. A minha avó Zefinha ajudou a trazer a este mundo muitas crianças, num tempo em que não abundavam médicos nas aldeias. Foi também catequista de centenas de crianças a quem ensinou a “doutrina”.
O tio Domingos esteve sempre presente na minha vida. Lembro-me desde criança de acontecimentos importantes na nossa vida familiar e na sua presença constante.
Foi e é um apoio permanente nos momentos mais difíceis da nossa e da sua vida. Sempre com uma palavra amiga quando percebia que algo não estava bem connosco, sem nunca impor o seu pensamento. O amor incondicional que tem às irmãs. Recordo especialmente a minha mãe e a Tia Zeca que, lhe disse, quando faleceu a avó Zefinha, algo do género: Continua a vir a Gondar porque a partir de agora eu sou a tua mãe.
Gosta de rir e de contar algumas piadas. Muitas vezes nos surpreendeu com poemas cómicos que julgávamos ser impossível com ele. Gosta de uma boa refeição e adorava os cozinhados do meu pai a quem chegou a dizer “Fernando vamos abrir um restaurante. Tu cozinhas e eu entro com o dinheiro”.
Mantém uma permanente ligação a Gondar onde vai periodicamente e onde faz questão de reunir toda a família num almoço.
90 anos de uma vida plena. Evangelizador pela escrita e pela palavra falada. Homem da Igreja e da sociedade. Homem de convicções fortes e vertical. Como diria Sá de Miranda:
«Homem de um só parecer
Dum só rosto, uma só fé,
De antes quebrar que torcer,
Ele tudo pode ser,
Mas de corte, homem não é.»
Por toda a sua vida e por tudo o que fez e continua a fazer por nós, obrigado Tio Domingos.
O sobrinho Xico