Faz-me uma certa confusão saber que emanam de Bruxelas tratados, regras e diretivas para muita coisa, enquanto para a Educação nos seus países membros nem uma recomendação é feita. Ou seja, não existe uma estratégia por forma a coordenar e orientar a vida académica, a nível da Comunidade Europeia (CE) não só para as necessidades do presente, como do futuro. Pelo que, a meu ver, não só seria útil, como vantajoso cada cidadão europeu saber poder contar que o seu currículo é válido em qualquer país do espaço Schengen, ou fora dele. Assim não sendo, sujeita-se a ser-lhe negado o emprego por incompatibilidade com as exigências que, porventura, lá existam.
A discrepância entre aquilo que deve ser ensinado nas escolas europeias e o que é adotado, tem feito caminho na própria Alemanha. Onde as regras e os conteúdos das matérias escolares são impostos pelo partido mais votado que acaba de formar Governo. Mas isso não é só naquele país de elevado poder económico, outros há dentro da CE dos 27 em que o mesmo acontece. E Portugal não foge à regra, já que durante os 52 anos de democracia, temos assistido a mudanças na escolha dos conteúdos e dos autores a estudar, consoante a matriz ideológica de cada Ministro da Educação que assume as rédeas do respetivo Ministério.
Com efeito, sempre que o país espera de um partido político vencedor das eleições um governante que decida levar a cabo uma reforma no sistema educativo, a fim de fazer equivaler a escola lusa com à dos outros países membros da EU, logo a coisa emperra. Ou seja, há como que um movimento oposicionista dentro do panorama escolar que não quer nem deixa mudar as coisas.
E embora esses habituais lóbis instalados nos meandros do setor da Educação se digam progressistas, tais como Sindicatos e outros grupos de interesses, tudo fazem para correr mal. Como, aliás, se verificou com a recente digitalização das provas de exame em que o frenesim foi tal à volta de Fernando Alexandre, ao ponto de ser pedida a sua demissão, pouco importando saber se há vantagem que tudo se processe alinhado com os outros países europeus. Sendo esses incréus – apoiados por alguns média – os responsáveis pela expansão do ensino privado em Portugal. Que o digam os políticos da esquerda cujos filhos lá estudam e que acham ser aí que encontram estabilidade, rigor e boas práticas.
Ademais, as constantes mudanças ministeriais não têm sido saudáveis para o ambiente escolar, o que faz com que os educandos passem a sofrer de incredulidade. Dado que hoje é uma coisa, amanhã é outra: andaram a propagar os Magalhães e os E/escolas e já ninguém fala neles; permitiram-se os telemóveis nas salas d’aula e, agora, proíbem-se. Passando aos discentes a ideia de que são manobrados conforme dá jeito ao poder.
Depois, nas nossas Universidades – quais fábricas de canudos onde ninguém pode chumbar – há cursos superiores para tudo como forma de equilibrar os rankings e as estatísticas com o resto da Europa. Pelo que muitos dos jovens estudantes, fiados no diploma, acabam desiludidos ao conseguirem emprego, apenas, na hotelaria ou nos Supermercados. Talvez por esse motivo é que, segundo uma notícia recente, há países com qualificados a mais e mão d’obra, nos diversos setores da economia, a menos. Ou seja, há uma chusma de licenciados sem emprego compatível.
Ora, como atrás de uma ideologia governativa outra virá, assim vai a Educação em Portugal: repleta de sobressaltos e com os partidos políticos a fazerem do Ensino a sua arma política de arremesso. Já que enquanto prevalecer a pancada europeia de que todos têm de ser doutores e engenheiros à força, quem fica a perder é o setor económico das micro, pequenas e médias empresas da Europa. Não foi por acaso que na sua obra cultural, Dietrich Shwanitz, escreve: – “há um erro de conceção tão simples de identificar nas políticas de educação europeias, que até uma criança de 10 anos saberia descrever, com facilidade, que o rei vai nu”.
Assim vai a educação
Narciso Mendes
10 agosto 2026