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Uma agulha no palheiro!

 


 


 

É engraçado ver e ouvir os telejornais: guerras e incêndios. Demissões e manipulações. Então ouvir os comentadores nas suas insuspeitas e insofismáveis imparcialidades e isenções ideológicas são um achado que põe o consumidor televisivo a matutar na utilidade de perder qualquer tempo a ouvir aqueles desengraçados “mercenários”. 


 

1 - Mas, tudo é mesmo engraçado pelas novidades apresentadas. Estas são sempre novas, apesar de serem sempre as mesmas. Algumas carunchosas até pelo rocambolesco. Dão umas voltinhas da praxe pelo círculo informativo do dia e o comentariado vai enrolando os assuntos de tal forma que os apresentam como “verdades limpinhas”. Depois de bem marteladas, aparecem superiormente como novidades da última hora. E são ditas com tal profundidade e convicção que deixa qualquer um na dúvida metódica se já alguma vez ouvira tais sumidades. Por isso, ver os telejornais tornou-se um acto de coragem, de enorme paciência, mas também de formação qualitativa de política, de economia, de sociologia e, claro, de artes bélicas. Aulas ao vivo.


 

2 - A Comunicação Social, toda ela, sempre isenta e imparcial, como já referi, repete as mesmas notícias até à exaustão. Basta tomar nota das “pequenas-grandes escandaleiras” da ocasião que são aproveitadas até à casca só com o intuito de fazer desmobilizar quem está empenhado em mudar as coisas do país. As vozes que chegam só querem chatear com tantos pedidos de demissões. Os canais televisivos não as distinguem. É tudo igual. Até o alinhamento é praticamente idêntico. Depois da dolorosa injecção noticiosa, sempre ou quase sempre com sopros ao ouvido dos pivôs pela “voz off”, aparecem os comentadores. E é muito mais engraçado ouvir as suas composições sapientes que relatam, para quem os vê e ouve como gostam de dizer. Ceuta veio acalmar as hostes ressabiadas e deu tréguas aos “prevaricadores”.

Hoje, apresentam-se, nos écrans, comentadores para todos os gostos e de calibres bem diferenciados. Aparecem professores, doutores, generais, muitos generais, analistas, políticos, economistas, especialistas nesta ou naquela área. E todos comentam à volta dos temas na berra. 


 

3 - Os canais televisivos, numa luta sem tréguas pelas quotas de mercado, tentam apresentar os comentadores mais badalados que debitam os mais incríveis e geniais comentários com o fim de cativar a atenção do público consumidor da informação. 

Os jornalistas, muitos coitados pelo salário baixo que auferem e com contratos precários, dão o litro na procura da agulha no palheiro. Têm que mostrar serviço. Cheirando-lhes a esturro, lá estão eles a investigarem temas quentes (?), a escaldar, para agitar e prender as massas com polémicas fabricadas ou com episódios de vida pessoal um pouco marginais aos cargos do Estado que ocupam no momento. 


 

4 - Depois do pesado chinfrim em volta da SpinumViva de Luís Montenegro que andou nas bocas da Oposição lusa durante meses, as favas, desta vez, tocaram aos ministros da Educação, Fernando Alexandre e do MAI, Luís Neves. Deixaram em “paz” por uns tempos a ministra da Saúde e do Trabalho. Falemos só de Fernando Alexandre. O ministro de qualidade superior viu-se envolvido numa teia de avaliações malditas que deu azo à esquerda de o querer torrar até aos ossos. Não vai conseguir, porque o ministro tem demonstrado uma paciência bem superior à capacidade de Job, um carácter forte e uma folha de serviços à prova de bala. O ministro tem-se desdobrado em explicações, em pedidos de desculpa, em reconhecimentos de erros cometidos, em garantias que nenhum aluno será prejudicado na sua carreira, com promessas que não mais se verificará o problema e mesmo assim a impoluta esquerda pede que a sua cabeça vá para o cepo. Montenegro tem tido uma intervenção, neste campo, irrepreensível. Ainda bem!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

9 agosto 2026