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Estado da Saúde: reforçar o SNS é um dever nacional

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa um dos momentos mais exigentes da sua história. Apesar das dificuldades que enfrenta, continua a ser o maior garante da igualdade no acesso aos cuidados de saúde e um dos pilares fundamentais do Estado Social.

É precisamente por isso que o momento exige decisões políticas corajosas, capazes de fortalecer o SNS e de responder às legítimas expectativas dos profissionais e dos utentes. Uma dessas decisões passa, na minha opinião, por criar um período obrigatório de exercício profissional no Serviço Nacional de Saúde para os médicos que concluem a sua formação especializada.

À semelhança do que aconteceu durante décadas com o serviço militar obrigatório, faria todo o sentido que os novos médicos prestassem serviço no SNS durante um período entre três e cinco anos.

O Estado investe significativamente na formação destes profissionais e é justo que esse investimento tenha um retorno direto na melhoria dos cuidados prestados aos portugueses. Esta medida contribuiria para reduzir a falta de médicos, especialmente nas regiões mais carenciadas, reforçando a capacidade de resposta do SNS e garantindo uma maior estabilidade dos serviços.

Outra preocupação prende-se com a decisão de devolver algumas Unidades Locais de Saúde ao modelo de Parceria Público-Privada. Considero esta opção um claro retrocesso. O SNS não pode ser visto como um negócio, mas sim como um serviço público essencial.

As PPP podem responder a objetivos de gestão financeira, mas dificilmente asseguram a mesma missão de serviço público, a valorização dos profissionais e a defesa do interesse coletivo.

O caminho deve ser o da valorização do SNS, investindo nas suas pessoas, nas suas infraestruturas e na sua capacidade de inovação.

No que diz respeito à nossa região, há uma reivindicação antiga que não pode continuar a ser adiada: a ULS de Braga deve assumir plenamente a sua vocação universitária. Esta é uma luta de muitos anos, sustentada pelo trabalho, competência e dedicação dos seus profissionais e pela estreita ligação à Universidade do Minho.

Uma ULS Universitária significa mais ensino, mais investigação, mais inovação e melhores cuidados de saúde. Significa também maior capacidade para atrair e fixar médicos, enfermeiros e investigadores altamente qualificados.

A ULS de Braga tem demonstrado estar preparada para esse desafio. Dispõe hoje de profissionais altamente diferenciados, de equipamentos modernos e de tecnologia de ponta que a colocam entre as instituições de referência do país.

A aposta na inovação e na transformação digital confirma que reúne todas as condições para dar este passo decisivo, em benefício da população que serve.

O futuro da saúde em Portugal constrói-se com investimento, visão e confiança no Serviço Nacional de Saúde. Não podemos aceitar soluções que o enfraqueçam nem adiar decisões estruturais que permitam garantir cuidados de qualidade para todos.

Reforçar o SNS, valorizar os seus profissionais e reconhecer a ULS de Braga como uma verdadeira ULS Universitária não são apenas objetivos políticos.

São compromissos com o futuro, com a dignidade dos profissionais de saúde e, sobretudo, com o direito de todos os cidadãos a uma resposta pública, moderna, qualificada e humanizada.

Porque um SNS forte é sinónimo de um país mais justo, mais solidário e mais preparado para enfrentar os desafios do futuro.

Camilo Ferreira

Camilo Ferreira

7 agosto 2026