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É isto a democracia a funcionar?!

 


 

 


 

Viver numa democracia, na democracia lusa, é mesmo singular! Uma maravilha! Um luxo até! No regime democrático, tudo pode acontecer! Tudo pode dizer-se! Tudo é tolerado, onde muita gente perdeu a memória. Tem que se ouvir e aceitar mesmo os maiores disparates! Disparates de toda a ordem e proferidos por gente importante! Gente muito institucional! E muito democrática! 


 

1 - A democracia é um regime fenomenal. Um leque ideológico que oscila, por permissão, entre esquerda e direita. Os do meio são apátridas políticos. Daí, voz apagada. O regime é único na liberdade de expressão e grandioso na intervenção. Sublime nos direitos de cidadania. Sim, o regime de todos os direitos. Até daqueles direitos que se inventam. A propósito e a despropósito. Um facto, entretanto, me parece certo: a democracia lusa não é o regime da responsabilidade plena. Isso, não! Dos deveres. Das obrigações. Da transparência e do rigor. De se agarrar o país com respeito. De se trabalhar para se construir um bom futuro. O que importa é viver o máximo que a democracia oferece no presente. Sempre o presente, com dívidas, com dificuldades e com desigualdades. Isso não importa. Como é bom viver no regime dos direitos! Que fixe!


 

2 - Em redor desta democracia, consideremos a argumentação do insignificante Bloco de Esquerda. Este partido, depois de tanto frenesim, quando os geringoncistas lhe deram alguma visibilidade política, quis, nesse tempo, impor uma agenda carregada de fracturas sociais. De vilipendiar e reescrever a História com histórias recauchutadas. Propôs-se avançar com medidas ultra-vanguardistas na linguagem e na cultura. Tudo intragável. “Corrompeu” o pensamento e a acção de uns tantos jornalistas avençados. Nesta onda de histeria, atingiu os píncaros da fanfarronice. Até alimentaram a ilusão de Mariana Mortágua vir a ser a futura ministra das Finanças por ser uma economista genial! Lançou a ideia de um imposto adicional para os ricos pagarem: o imposto Mortágua. Quem diria! Depois de investir forte na demagogia, caiu com estrondo do pedestal do poder fictício. Estatelou-se e desfez-se nas suas próprias contradições. 

Nas últimas eleições legislativas, ficou reduzido à expressão mínima de um deputado na Assembleia da República. Mesmo confinado neste merecido e bem trabalhado nicho de insignificância, tem, agora, o fim à vista com o desfiliar de 60 militantes e muitos deles fundadores. O descaramento do insignificante BE vai ao ponto de pedir a demissão do ministro da Educação. Sinceramente, ao ouvir, nem queria acreditar em tal coisa. Pergunta-se: Esta gente não faz reflexão? Esta gente não mede aquilo que diz? Esta gente não tem a noção do seu galho? Não! Não reflecte, não mede, não tem noção, porque isto se enquadra no modelo da tal “democracia lusa a funcionar”!


 

3 - Outro nicho de demagogia: o partido Livre. Abriu as alas, em Sintra, no XVII Congresso para mudar a liderança. O “carismático Tavares” deu à sola, talvez a preparar um poiso mais abonado. Em vez de um líder, o congresso gerou dois. Não é uma novidade. É típico da esquerda extremista. Um mau presságio. Anuncia-se derrocada. Um dos porta-vozes, Jorge Pinto, empolgado e sempre com um ar gaseado, aproveitou a embalagem e manifestou o firme propósito e a “certeza” de um dia ser governo. Sim, governo! E o mais cedo possível. A extrema esquerda tem esta áurea: vive muito de ilusões. De fantasias. De historinhas de encantar.

Convém recordar que este porta-voz, Jorge Pinto, nas últimas presidenciais levou uma enorme banhada. Obteve 0,6% (38 586 votos). Um número ridículo. Uma verdadeira insignificância. E é este político que quer ser governo e construir um “futuro progressista” para o país! Este também tem que fazer mais reflexão para perceber um pouco melhor a realidade e onde é o seu galho.


 

4 - O desnorte da esquerda lusa é evidente. E como não tem nada para apresentar como alternativa, cinge-se ao palavreado de pedir demissões de ministros em catadupa. Começou a “festa” com Luís Montenegro. Passou para a ministra da Saúde. Seguiu para o ministro da Presidência. Atingiu o ministro da Educação. A ministra do Trabalho também não escapou. E agora está na corrida o ministro da Administração Interna. Quem se seguirá? 

Qual é a utilidade para o país e para a democracia esta histeria? Será para reforçar o governo? Para o tornar em melhor forma? Ou será isto que caracteriza a tal democracia a funcionar?

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

2 agosto 2026