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Programa Cuida-te + reforça o acesso à saúde mental

O Programa Cuida-te +, do Instituto Português do Desporto e da Juventude, ganhou, no início de julho, uma nova cara. Criado em 2019, como um melhoramento do Programa Cuida-te, o programa visa a promoção da saúde e dos estilos de vida saudáveis entre os jovens, contemplando de forma particular o apoio em saúde mental e bem-estar emocional dentro da mesma faixa etária. Com as mais recentes alterações, passa agora a abranger jovens dos 12 aos 35 anos no acesso aos cheques Psicólogo e Nutricionista, deixa de ter limite máximo de consultas por pessoa e aumenta para 40 euros o valor comparticipado por sessão. A medida representa um importante reconhecimento institucional de que a saúde mental deve ser abordada precocemente e não apenas quando já existe doença instalada, traduzindo um passo significativo na melhoria do acesso aos cuidados de saúde mental.

Contudo, não podemos esquecer que facilitar o acesso é apenas uma parte da resposta. Ao contrário do que o senso comum tende a fazer crer, para muitos jovens a adolescência e a juventude não são apenas fases "difíceis". Existe uma tendência generalizada para normalizar determinadas manifestações, recorrendo a expressões como "É da idade", "São as hormonas" ou "É só uma fase", quando, na prática clínica, é frequente encontrar sofrimento real escondido por detrás destas frases feitas.

É verdade que esta etapa da vida é marcada por mudanças profundas, mas nem todos vivem as transições que lhes são inerentes da mesma forma. Numa transição saudável, a pessoa aprende a lidar com a nova realidade, aceitando e integrando o seu novo papel social ou condição de saúde de forma equilibrada. Já uma transição ineficaz pode gerar sentimentos de perda e dificuldade em compreender ou gerir a nova situação de vida, ao mesmo tempo que favorece o aparecimento de sintomas como tristeza, ansiedade ou desesperança.

Há, por isso, uma fronteira muitas vezes ténue entre aquilo que faz parte do processo de crescimento e aquilo que constitui um sinal de alerta. E a verdade é que pedir ajuda continua a ser difícil. Mesmo quando existe uma resposta disponível, muitos jovens receiam o estigma associado à doença mental ou não sabem sequer onde procurar ajuda. Outros não reconhecem o seu sofrimento como merecedor de apoio, acreditam que "há pessoas com problemas maiores" ou acabam, simplesmente, por normalizar sintomas persistentes de ansiedade, exaustão emocional ou tristeza.

Uma consulta pode ser fundamental, mas a saúde mental dos jovens depende de uma multiplicidade de fatores aos quais, muitas vezes, não damos o devido valor. O ambiente familiar, a escola, as relações sociais, o contexto digital, as condições socioeconómicas e o acesso a espaços de participação e desenvolvimento pessoal moldam, diariamente, a forma como cada jovem enfrenta os desafios desta fase da vida. Não podemos, por isso, reduzir a saúde mental a uma consulta ou a um cheque; ela constrói-se também nos contextos onde os jovens vivem, estudam, convivem e crescem.

E é sobretudo nesses contextos que a prevenção deve começar — antes da crise, não apenas quando já existe uma perturbação mental estabelecida, mas quando surgem os primeiros sinais de sofrimento capazes de comprometer o funcionamento, as relações interpessoais ou o bem-estar. 

Estamos, finalmente, a criar melhores respostas para a saúde mental dos jovens. Mas estaremos também a criar contextos onde possam crescer com menos pressão, mais apoio e menos motivos para adoecer? Talvez seja essa a pergunta que verdadeiramente importa responder.

Cristina Silva

Cristina Silva

31 julho 2026