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Imigrantes… Emigrantes que somos

Em querelas muito polarizadas, politizadas e populistas, este assunto tem sido tema quente dos “nossos áulicos” na arena nacional. Jogado em fogos cruzados e termos humanistas, reveste-se de contornos escuros como de aproveitamento político de esquerda ou direita num País, que escasseia de mão de obra e precisa de imigrantes, enquanto outros, dados os baixos salários e carestia de vida, gostariam de emigrar para outras paragens, ou de se exilar do país bonito para poetas e privilegiados…

Tema polémico de muitas vertentes sociais, económicas, e até religiosas, precisa de ser muito bem equacionado, sem políticas de “portas escancaradas” até pelas condições actuais de falta de habitação, e consequências no futuro, embora racional, colmatando um inverno demográfico, que fez crescer a população. A inter-relação de povos, culturas e línguas diversas é uma constante da história, que, em sentido diacrónico, remontam ao tempo de Abraão na História do Povo de Israel: “Eu sou um emigrante e forasteiro” (Gen 23,4).

Também eu fui e conheço este problema muito de perto, acompanhando muitos filhos de Camões em terras estrangeiras. Não é uma situação fácil, pois até o solo que se pisa não é nosso… Por vezes, curtido de sangue e lágrimas, sobretudo para os mais pobres, que, nem conhecendo línguas nem a cultura, se tornam presa fácil de muitos oportunistas, que , da sua fragilidade procuram tirar dividendos.

Fazendo parte da nossa tradição desde os alvores da nossa nacionalidade, cônscios de tantas fragilidades, somos um povo de emigrantes e a nossa diáspora nas Sete Partidas, assim o prova.

O que seria de Portugal nos anos 60/70 sem emigrantes? E o que seria sem a União Europeia, já que apenas devemos a Abril a nossa democracia, como condição para pertencermos e sermos aceites na Europa, apesar de todos o trajecto sinuoso, que devia envergonhar os nossos partidos políticos, pois, com todas as ajudas recebidas, podíamos ter um pais mais simétrico, desenvolvido, organizado e de bem-estar comum.

Há múltiplas razões: éticas, étnicas, económicas, sociais, culturais, escolares, religiosas e políticas. Lembro que na Alemanha preparavam-se monitores especiais, alguns das línguas autóctones, para acompanhar os estrangeiros, como se faziam cursos aos professores e assistentes sociais para conhecer melhor as culturas dos estrangeiros que recebiam para melhor integrar e proteger os filhos nas escolas, de modo a sentirem-se mais apoiados, respeitando as suas culturas, religiões e costumes, embora nem sempre evitando os “guetos” de nacionalidade, que se formavam, sem os perseguir e compreender. Mas eram sempre vistos como um corpo estranho, sobretudo de culturas exóticas, muçulmanas, ou de refugiados, exilados de países em guerra.

Procurava-se integrar os filhos nas escolas, facilitando os livros e apoio escolar em pés de igualdade. No entanto, um estrangeiro para subir, por vezes, tenha de ser melhor, mais inteligente e diligente que os nacionais, mas até se promovia com bolsas especiais o acesso ao ensino universitário.

Era pois uma escola de sã convivência e coexistência pacífica, de modo a evitar a xenofobia e as lutas raciais dentro de um humanismo sadio, que não se encontra, por vezes, nos nossos partidos políticos.

É verdade que as pessoas migram para melhorar a sua vida económica, e não dispõem de grande tempo para aventuras e aprendizagem da língua do acolhimento, mas também havia apoios para a sua língua materna. Apoiavam-se os que aprendiam a língua do pais que os recebeu e eram promovidos nos locais de trabalho.Esta interação permitiu que se selecionasse os melhores, mesmo com prémios especiais, como os filhos para representação das filiais alemãs no estrangeiro, com o bilinguismo. 

São estas questões que gostaria de ver discutidas no nosso Parlamento, sem as atoardas que mais parecem de galos engalfinhados à procura do isco, ou do osso, que todos querem comer, porque a carne não sobeja para todos. Até quando?...

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Rosas de Assis

30 julho 2026