1.A mensagem do Papa para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos levou-me, uma vez mais, a refletir sobre a minha dignidade de ser humano e filho de Deus. Não sou um número. Sou uma pessoa com o seu nome e a sua a identidade própria.
Porque vou perdendo a autonomia já não presido à celebração da Eucaristia. Já me não sento na capela da Confissões da Basílica dos Congregados. Já não leciono nem profiro conferências. Já não ando de saco a tiracolo, de gravador ou bloco na mão, a recolher e tratar informação. Já não ocupo o gabinete de Diretor do «Diário do Minho». Já não redijo atas de reuniões que secretariei. Já não sou capelão dos Bombeiros Voluntários nem da Residência de Santa Teresa. Já não participo em Cursos de Preparação para o Matrimónio nem sou conselheiro espiritual de Equipas de Casais. Já não pertenço à Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia. Todas estas e outras atividades que fizeram parte da minha vida passaram.
2.Hoje, Idoso e Doente, na Casa Sacerdotal onde sou acolhido, reparto o tempo pelo quarto onde durmo, trabalho e rezo; pela sala de jantar; pela capela, onde concelebro a Eucaristia; pelo oratório, onde posso ir sem ter necessidade de abrir e fechar portas. Mas, com as minhas limitações e fragilidades, continuo a ser útil e a ser amado por Deus, que nunca me esquece e com quem mantenho um relacionamento muito familiar.
Continua a soar em mim a advertência de S. Paulo: ai de mim se não evangelizar! (1 Coríntios 9:16)
E procuro cumprir a missão de evangelizador, tendo por púlpito as redes sociais e jornais em que colaboro. Como companheiros e apoio tenho o computador e a Internet.
Tudo isto me foi sugerido pela referida mensagem do Papa para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que se celebra pela sexta vez no próximo dia 26, e tem por tema «Eu nunca te esquecerei».
A partir de um texto do Profeta Isaías o Papa salienta o inesquecível amor de Deus por cada um de nós,
3.Instituído pelo Papa Francisco em 2021, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos celebra-se anualmente no quarto domingo de julho, próximo à festa litúrgica de São Joaquim e Santa Ana (celebrada a 26 de julho), os avós de Jesus Cristo. Permanece o seu objetivo inicial: promover o encontro entre gerações e combater a solidão.
Leão XIV pretende que «seja um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita».
«Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a proximidade e o carinho do Papa», recomenda.
«Sobre a existência de muitos idosos, em particular, acrescenta, parece estender-se um véu que esbate as feições dos rostos e relega ao esquecimento. É o que acontece nas casas onde reina a solidão, e também naqueles asilos onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzida ao número da sua cama ou à sua patologia».
4.«A Igreja, escreve também o Papa, conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo; está ciente de que uma economia centrada no lucro enfraquece os laços familiares; sabe que muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a migrar ou, nalguns casos, a combater na guerra».
5.«Para muitos, afirma ainda Leão XIV v0, a descoberta da ternura de Deus, no decorrer da vida, acontece precisamente na sua última etapa.
Cada vez mais, na realidade, ao contrário do que acontecia no passado, é possível chegar à velhice sem ter tido uma verdadeira experiência de fé.
Neste caso, a idade avançada, a partir das questões que nesta fase da vida se colocam com maior premência, pode tornar-se o momento oportuno para iniciar ou retomar a vida espiritual».