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O Que a Correção das Provas Nacionais Ensinam sobre IA

A recente polémica com as provas nacionais expôs algumas fragilidades que encontramos frequentemente na implementação da tecnologia e da IA nas nossas empresas e organizações.

Como já todos sabemos, o problema nunca é a tecnologia ou as ferramentas, mas antes a forma e o processo de implementação, a gestão da mudança, a forma como trabalhamos no antes e no depois, o perfil das equipas e dos líderes, e as escolhas que fazemos, entre outras razões.

Este processo veio sublinhar, e bem, a importância dos testes, do planeamento e da qualidade das plataformas usadas para desenvolver o que quer que seja, tendo em conta a segurança e a escalabilidade. Essas plataformas devem ser escolhidas após um escrutínio cuidado no processo de investimento, avaliando não apenas o preço, talvez o critério mais simples de analisar, mas sobretudo outras características, como o perfil das equipas, a capacidade de resiliência, o suporte e os tipos de contrato, entre outras.

É relativamente fácil perceber que, se o projeto parte logo desde o início com estas metodologias sólidas, o resultado tem necessariamente de ser outro.

Ao longo de décadas nesta área, continuo a reconhecer os mesmos padrões de oportunidade de melhoria todos os dias.

Para que um projeto de transformação digital seja um sucesso, nomeadamente com IA, é crucial uma análise aprofundada não só das soluções e das plataformas, mas também das equipas, da metodologia e do modelo de gestão da implementação.

Mas, infelizmente, continuamos a relativizar, e de que maneira, projetos estruturais como se fosse instalar um programa no nosso PC!

Se olharmos para os sectores de atividade mais clássicos, a diferença é visível. Hoje, uma casa não se faz sem projeto. Todos aceitamos que temos de ter um plano, um projeto, um engenheiro, um arquiteto, etc., e que, sem as contas certas, a casa pode cair!

Pois, nos sistemas de informação e na aplicação da IA, os desafios e as necessidades são os mesmos! Se não percorrermos o caminho certo, nem respeitarmos os requisitos adequados, teremos sérias consequências, de custos desnecessários, de falta de adoção, de impactos abaixo do esperado, de falhas, de erros, de turbulência e, acima de tudo, de descrédito nas soluções e de muitas oportunidades perdidas.

Mas não nos enganemos com as dificuldades da mudança! Sem ela, não acontece nada! E só não erra quem não tenta! E temos de tentar! Mas, apesar de a sorte proteger os audazes, convém não ficarmos só dependentes dela! Por isso, em suma, sim, o caminho é para a frente, o melhor que podemos, suportados pelas melhores metodologias, para reduzir o risco e aumentar a previsibilidade.

De resto, ainda a propósito do caso das provas nacionais, no meio de muita coisa certamente a melhorar, mas também de muita coisa certamente bem feita, só posso sublinhar a força e a coragem, na minha opinião pouco reconhecida, do Ministro Fernando Alexandre.

Nomeadamente, por se focar em concretizar, em fazer o que tem de ser feito, independentemente de ser mais ou menos difícil. Isto sim, é serviço público! O resto diz respeito à máquina, aos recursos e aos processos atuais, que, como vimos, precisam de melhorias.

Mas, sem visão e coragem, não há liderança e nada acontece.

Já sabemos que, quanto maior e mais disruptiva for a mudança, maior é o risco de falha, de ter de lidar com problemas e de os resolver. Como hoje cada vez mais se sublinha, importa é fazer, avançar e, se falharmos, falhar rápido, corrigir, aprender e avançar novamente, pois só assim se evolui efetivamente.

Talvez o próximo ano, com o processo e a turbulência já ultrapassados, possa ser mais esclarecedor e permitir que a legião de treinadores de bancada e os ilustres comentadores das tribunas VIP, que vemos todos os dias nas TVs, reconheçam a mudança e o valor de quem trabalha e age, correndo riscos, bem acima do valor das suas retóricas!

Mas acredito, sim, que há muito mais para fazer, em todos os domínios!

Espero sinceramente que continuem a surgir mais políticos com coragem e menos “estrategicamente” amarrados à probabilidade de serem apontados caso algo não corra tão bem. Optem antes por concretizar e avançar, naturalmente com os pés na terra, com os riscos calculados e tomando todas as medidas para os minimizar.

Porque pior do que fazer mal é não fazer nada durante décadas a fio, o que é ainda muito pior, para todos, para o país! E, claro, quanto mais tarde se mudar, maior será o risco e a probabilidade de termos de lidar com problemas no futuro!

Deus queira que o país tenha a sorte de ter mais ministros no futuro que tenham a coragem de mudar e de avançar mesmo no meio de tanta inércia, e que se deixem de palavrinhas mansas compatíveis com resultados eleitorais!

Parabéns, ministro Fernando Alexandre!

(… só faltou um pouco mais de IA!)

Guilherme Teixeira

Guilherme Teixeira

22 julho 2026