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Ser ministro

 

A trapalhada que se deu na correção das provas do 12.º ano, levou de imediato a oposição a pedir a cabeça do ministro da Educação; baralha-me o conceito que tinha do que era ser ministro, e no caso concreto, para que serve um ministro da Educação. Julgava que ser ministro da Educação era aquele que estava à frente deste ministério para responder à grande questão educativa: projetos educativos para Portugal. Casos como o falhanço informático, julgava ser da responsabilidade de um diretor de serviços ou quanto muito de um diretor-geral. Pelos vistos enganei-me e, segundo a oposição política, a responsabilidade pela operação informática é atribuída ao ministro. Espero que a aquisição de papel para as impressoras não esteja a seu cargo. O ministro da Educação deve estar preocupado com o “seu projeto” educativo: que escola deve ter para não começar a perder o futuro? Que disciplinas curriculares devem para isso constituir os cursos escolares? Que modo de avaliação deve adotar: a escola ou exames? A escola deve ter a “ousadia” de querer ser uma formadora ou apenas uma oficina de fabrico de pucarinhos iguais? Deve querer uma escola formadora de serviçais ou uma forja de inovadores. A escola deve ser uma fábrica de servidores ou um lugar de pensadores? Entre outras ideias de educação estas seriam as primícias de uma escola sociedade. Anda a escola preocupada com os falhanços de uma qualquer digitalização das provas a corrigir. É verdade que no atual modelo de escola, as notas são o alimento dos estudantes e as esperanças, às vezes catártica, das famílias. Deveríamos criticar o ministro por não ter em si um verdadeiro projeto educativo para o país e deixar a execução de secretaria, para um diretor-geral. É pouco culpar o ministro pelo falhanço informático ou então estávamos completamente iludidos quanto à dimensão de ser ministro. Então de futuro deveriam os ministros serem executores e não pensadores de um verdadeiro projeto educativo para o país. É de menor pensamento reduzir um falhanço de secretaria a um falhanço de projeto. É pouco, sinceramente, é muito redutor para um ministro ser administrativo. À administração o que é de administração e ao ministro o que é de projeto educativo nacional. Ou então mandem os ministros aprender a digitalizar, em vez de o despedir. Por favor, pensem grande.



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

20 julho 2026