A história mítico-romântica de Robin dos Bosques, passada no séc. XIII (?) e muito televisionada nos meus tempos de criança, renasceu das cinzas e está em exibição no Rato. O primeiro personagem a representar o papel desse “fora-de-lei”, na política lusa, a tempo inteiro, foi Guterres. Boa pessoa, bom actor, mas mau governante. A sua acção foi marcada pela tibieza, pela hesitação e pelos números enrolados. Seguiram-se outros dois actores, estes de má qualidade: Sócrates, o desterrado na Ericeira com uma bancarrota no papo, e o eminente Costa, o exilado em Bruxelas e indiciado na operação “Influencer”. Agora, apareceu na cena uma cópia do “picareta-falante”, mas possuído de humanidades. Um Guterres II, de pior qualidade, claro, que ascendeu a mordomo do antigo palácio do Marquês da Praia, no Rato, através de votação coreana.
1 - O PS não é capaz de aprender nada com as experiências governativas falhadas que executou durante tantos anos de poder. Bate sempre nas mesmas teclas: distribuir, distribuir, distribuir. Pobres, pobres, pobres. É incapaz de perceber a crueza da economia: para distribuir é necessário criar riqueza. E quando não se cria riqueza e se quer distribuir a solução é simples e clara: recorrer à banca. A banca empresta com toda a facilidade do mundo. Porém, sabemos que a banca não empresta dinheiro. A banca vende dinheiro. E vende bem caro. E quando há dívida pública, com juros pesados, a distribuição não se faz e a solidariedade geme.
2 - Não é por acaso nem por azares contínuos que estamos onde estamos: um país estagnado desde 1995 associado a uma dívida colossal. Uma mistura explosiva e criadora directa de pobreza. Esta realidade de tontaria política instalou-se há 50 anos com promessas e juras veladas de bem-estar para todos. Ora, é urgente alterar-se o paradigma económico-social. A manter, o problema será cada vez mais difícil de se resolver. A incapacidade, a ineficiência e muito eleitoralismo têm marcado a cadência dos sucessivos governos.
O governo de Montenegro, por exemplo, bem consciente da situação, mas atado por oito anos e meio de neo-socialismo paralisante, tem tentado imprimir um ritmo bem diferente ao país, só que as forças bloqueadores não permitem a mudança necessária.
3 - Questionemos a situação actual nos vários dossiês que me parecem muito complicados. Será que queremos que haja 40 mil alunos sem professores a todas as disciplinas? Será que queremos ter uma lista de espera para cirurgias de anos? E atrasos incompreensíveis nas consultas de especialidade? Será que queremos um orçamento para a Saúde intragável? Como foi possível criar a figura triste de “médicos tarefeiros”? Não será mais plausível chamar “médicos mercenários”? Será que queremos ter uma taxa de pobreza a rondar os 40%? Será que queremos ter uma Justiça super-cara, em que os abastados conseguem delatar os processos até à prescrição e daí saírem impunes?
4 - Enquanto o “barco” navega nestas águas putrefactas da estagnação e cheia de escolhos, lá para os lados do Rato, apareceu o tal Robin com a sua tropa a desejar e a propor atacar as bolsas dos “ricos” para as distribuir pelos descamisados, como se estes “assaltos” surtissem qualquer efeito mesmo a curto prazo. Os neo-socialistas também não perceberam que atacar os ricos não é nenhuma solução. A solução é atacar a pobreza. E a pobreza não se ataca com subsídios, nem com as políticas dos 10 euritos. A pobreza ataca-se com criação de emprego e com salários dignos. Com investimento e com produtividade. Com ponderação nos consumos das famílias vulneráveis e com qualificação técnica e formação cultural. A pobreza ataca-se, enfim, com firmeza pessoal e com mudança comprometida de comportamentos. Algumas dicas: arrume-se com o tabaco, com as raspadinhas, com as cervejas a toda a hora, com os pequenos-almoços nas pastelarias, com cartões de crédito à balda. É preciso dar outro sentido à vida.