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Perdão e amor familiar: Jesus no Monte Calvário

 


 

É provável que já tenha referido esta cena em algum artigo anterior. A memória. porém, nem sempre funciona como nós gostaríamos, pelo que o autor destas linhas corre o risco de se repetir. Se assim acontecer, pede desculpa ao seus leitores.


 

Ainda no século XIX, já quando Lourdes era um local visitado por muitos peregrinos, conta-se que, numa procissão em que um sacerdote levava o Santíssimo Sacramento exposto numa custódia, e protegido por um pálio muito belo e chamativo, a mãe de um rapazinho afectado por uma doença incurável, disse ao filho: “Está com atenção e muito respeito, porque ali vai Nosso Senhor”. A criança perguntou: “É o padre que O leva?”. “Sim”, respondeu a mãe. O filho baixou a cabeça e, com decoro e silêncio, assim se manteve uns momentos, até que explodiu: “Jesus, se não me curas, vou fazer queixa à tua Mãe!”


 

Consta que a sua súplica foi ouvida e Jesus, comovido, certamente, com a manifestação simples daquela fé infantil e tão sincera, fez-lhe a vontade, evitando assim a “ameaça” de a sua Mãe precisar de Lhe chamar a atenção para o estado de sofrimento tão duro em que ele se encontrava.


 

A acção e a importância de Maria Santíssima na nossa vida é uma realidade que o Seu Filho aprecia, respeita e deseja. Lembremo-nos como, pouco antes da sua morte na cruz, Jesus, apesar das dores físicas e de todas as humilhações sofridas, saboreia dum modo muito especial a presença da sua Mãe, acompanhada pelo apóstolo João. E aproveita esse facto para manifestar, uma vez mais, o seu amor desmedido por todos os homens. 


 

Estes crucificaram-nO sem piedade, esquecendo todo o bem que o Filho de Maria fez nos seus anos de vida pública, com tantos milagres prodigiosos, que curaram enfermos, ressuscitaram mortos, além das palavras com que pregou, convidando todos os homens a viver sinceramente a caridade uns com os outros. Na cruz, Jesus não manifesta nenhum rancor aos seus algozes. Pelo contrário, os seus desígnios são de desculpa: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”(Luc 23,44). Reconhece que, apesar de toda a injustiça da sua condenação à morte, o ser humano, tão amado por Ele, continua a precisar de ser perdoado por Deus.


 

E mais ainda, num gesto de profunda amizade e de completa desculpa pelos maus tratos, actos de desprezo e de humilhação que sofre na sua condenação, procura aproximar o mais possível todo o homem de Si mesmo, pedindo à sua Mãe, na pessoa de S. João Evangelista, ali presente fisicamente, que assuma a maternidade de toda a humanidade: “Mulher, eis o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe”. E desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa” (Jo 19, 27-29). Jesus reforça em todo o ser humano, na pessoa de Maria Santíssima, Sua Mãe, a condição de membro da sua família, que já tinha no Pai a sua origem.

Pe. Rui Rosas

Pe. Rui Rosas

18 julho 2026