1 Remeniscências recentes sobre a Venezuela). Os 2 fortes e trágicos sismos (superiores a 7, na escala de Richter) que abalaram a região de Caracas no último mês de Junho, trouxeram-me à memória factos recentes e antigos, relecionados com aquele país. Os recentes, são bem ignóbeis e referem-se ao rapto e sequestro de Maduro, o chefe de Estado de um país que tem 10 vezes a área de Portugal; rapto perpetrado pelos americanos desta triste e inesperada 2ª versão de Trump. O qual foi eleito, sempre com a promessa de não querer ser o chefe dum país que se tem repetidamente arvorado no fantasioso e arrogante “cargo” de “polícia do Mundo”. No caso vertente, os aniversariantes de 4 de Julho de 1776 oferecem a si próprios (aos seus bilionários, melhor dito…) o gás e petróleo que, por mera “coincidência”, também lá foram sequestrar.
2 Remeniscências mais antigas). Ainda nos recordamos todos, daquela reunião hispano-falante em que don Juan Carlos, ainda rei mas já velhote e impaciente, se virou, um tanto a despropósito e ameaçou com o célebre “Por que no te callas?”. O alvo era o general Hugo Chávez, o líder populista venezuelano, do qual um dos modelos era o saudoso argentino J. D. Perón. Recordo também, que o genovês Colombo (m. 1506), na sua 3ª viagem, andou meio perdido nas fortes correntes da foz do grandioso Orinoco, investigando a que parte “da Ásia” tinha chegado… Ou que a região foi baptizada de Venezuela (“pequena Veneza”) por Alonso de Ojeda (m. 1510), visto haver canais e aldeias nativas com palafitas, dentro da grande baía de Maracaibo; lá onde hoje, aliás, os bolsistas judeus de N. Iorque, querem intensificar a extracção de petróleo. Recordo também que a colónia foi arrendada, no séc. XVI, aos banqueiros não- judeus, alemães, dos Welser (no reinado de Carlos V e até 1549).
3 Os nossos “brasileiros” e os nossos “venezolanos”). Não quero desprezar ninguém (aliás, vereis nos capítulos seguintes…). Porém, lá para “os meus lados”, nos principais concelhos donde a maioria dos meus antepassados é originária (Olª de Azeméis, Feira, S. João da Madeira), a emigração para o Rio de Janeiro, Baía ou até S. Paulo e R. Grande do Sul, já vinha do início do séc. XIX; e para o Rio, sobretudo, bem “despejámos” gente que foi até, por lá muito bem sucedida. Um dos meus trisavós, republicano, regressou rico da Bahia e morreu por cá, em 1913. Outro, José Joaquim Godinho (1836-88) foi, no Rio, co-fundador da Beneficência Portuguesa e do Gabinete Português de Leitura e director do Banco Rural e Hipotecário. Neste enquadramento migratório, a Venezuela é algo que só por cá terá começado a sério, por meados do séc. XX; aliás em concorrência tardia com a mais adequada ida para Angola ou Moçambique (onde um meu tio-bisavô, este materno, o próspero comerciante Manuel da Silva Coelho e Castro, já vivia em Lourenço Marques por 1920). Nos anos 60 veio a França, etc.. Daí que, ao contrário dos nossos bravos madeirenses (que daqui saúdo), por cá, à partida, os “venezuelanos” não eram propriamente os “aristocratas da nossa classe migratória”.
4 Camilo Mortágua e o arqº José Guilherme). Antigo emigrante em Caracas, este Mortágua, que participou no desvio do paquete Sª Maria e no assalto ao Banco (na Figª da Foz), é natural lá de Ul (logo a sul das fregª de Santiago e Cucujães, em OAZ); e morreu há anos, na sua quinta do Alvito (Alentejo), com 90 anos. É o pai das irmãs Mortágua (e Mariana merece, finalmente, louvores, pela ida na frotilha de Gaza). Já o arqº José Guilherme era um primo-direito do meu Pai, sendo filho da minha saudosa tia-avó Mª Emília Saraiva de Aguiar (parente de sangue, afastada, do dr. Durão Barroso). José Guilherme, que fôra um dos principais arquitectos de Vale de Lobo, esteve 2 anos em Caracas, ao serviço da Soares da Costa; e lembro-me de ele avisar contra a debilidade dos prédios do país; e isto, bem antes do tempo de Hugo Chávez. Infelizmente, tinha razão…
5 O ano de Isaura). O mês em que conheci Isaura foi Agosto, logo depois de um dos Julhos mais trágicos da minha vida. O meu Pai havia falecido a 21, aos 58 anos. Antes, no dia 10 (dia em que os holandeses comemoravam os 400 anos do assassinato do seu notável Willem de Oranje-Nassau, ou Guilherme o Taciturno), eu tinha conhecido uma forte decepção amorosa. Em finais desse Julho, eu e o meu irmão, já médico, fizemos uma pequena viagem de meditação, que incluía Fátima e onde (pelo menos, eu) sentimos a força telúrica daquele lugar especial. Regressados a casa, já em Agosto fui passar uns dias à zona de Mira. Foi então que tive um “flirt” (um daqueles curtos namoros de praia) com Isaura, uma beldade não muito alta mas robusta, o cabelo liso, negro, olhos castanhos, e alguns cravos na pele. Por eu ser burro, o namoro não avançou. Estivemos em Setembro na feira anual de S. Mateus (ela era metade de Viseu e metade de Vieira do Minho). Ainda a visitei, em Viseu, em Janeiro seguinte, mas a sua disposição era já fria; ia regressar à Venezuela, onde já morara. E foi. Nunca mais soube dela. Era uma sobrevivente. Em bebé escapou da morte pela 1ª vez, nos massacres da UPA, no norte de Angola, onde nascera. Na Venezuela, escapou das fortes desordens anti-portuguesas ocorridas naqueles anos. E só espero que nada lhe tenha acontecido agora, se ela ainda por lá viver.