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As guerras causam sempre situações desumanas

 


 

Alguém, com certa razão, comparava o estado de guerra entre países, às desavenças entre duas pessoas que, por se não entenderem duma forma racional, procuraram resolver a questão com violência: berros, pancadas, palavrões e a atribuição da culpa ao seu contentor. Os resultados podem ser variados, ferimentos mais ou menos graves em quem participou na luta, ou mesmo morte de um ou dos dois intervenientes, etc.


 

Claro que quando duas nações entram em conflito, as consequências são bastante mais graves, não só pela violência de destruição com os meios bélicos que se utilizam, mas também pelas muitas vítimas e estragos que se causam sem que fosse previsível ou suposto antes da sua realização.


 

Na actualidade, as duas nações mais poderosas do mundo, provocaram duas guerras, cujo fim ainda se não sabe rigorosamente quando e como vão terminar.Num caso, referimo-nos à contenda entre os Estados Unidos e o Irão. A sua cobertura pelos meios de comunicação social parece mais fácil e abundante, porque a narrativa ocidental domina o fluxo informativo. No outro, contenda entre a Rússia e Ucrânia, os dados noticiosos tornam-se mais complexos, sobretudo porque o sistema político do primeiro país mencionado é muito mais fechado. É que o sistema ditatorial comunista, que, em princípio, desapareceu por exaustão na antiga União Soviética há já um bom par de anos, deu agora lugar a um regime dominado por um governante, que foi antigo membro da KGB, a dura polícia política do comunismo soviético. De democrático parece desconhecer o fundamental, pelo que age como se fosse senhor indiscutível do poder no seu país. 


 

Inicia a guerra com a Ucrânia, certamente convencido de que a intervenção seria resolvida rapidamente com a vitória evidente do exército russo. Por esta razão, chamou à sua iniciativa «Operação Militar Especial», que já causou, entre os seus soldados e os soldados ucranianos, muitas centenas de milhares de vítimas, entre mortos, feridos e desaparecidos. 


 

As destruições no país atacado têm causado grandes estragos materiais e humanos. E não estamos a repetir o que há pouco referimos sobre as baixas militares de ambas as partes, mas apenas a lembrar que já morreu um número considerável de cidadãos ucranianos, com ataques das armas russas, assim como muitos edifícios do país invadido foram danificados ou destruídos. 


 

Tudo isto é lamentável e profundamente desumano. Mas era de supor que as autoridades russas não se surpreendessem e escandalizassem com um incidente de guerra em seu desfavor, quando, não há muito tempo, num ataque de “drones” ucranianos, morreram pessoas numa povoação e, ao que parece, entre estas, algumas crianças dum estabelecimento de ensino. Repetimos: é lamentável a ocorrência destes factos. Mas não esqueçam os apoiantes de Vladimir Putin, que os ataques do seu país causam as mesmas desgraças na Ucrânia, porque apesar de se tratar apenas de uma “Operação Militar Especial”, as consequências não se distinguem de uma guerra violenta e prolongada.

Pe. Rui Rosas

Pe. Rui Rosas

5 julho 2026