É necessário o ser humano, independentemente das suas origens, condições humanas, convivência social e idade, saber ultrapassar as dificuldades, mediante uma preparação adequada para o futuro da sua longevidade, mas com espírito de persistência humanista e de esperança, com sentido ativo e seguindo diretrizes entrosadas ao seu ego, e fugindo ao sedentarismo.
O grande cientista da Universidade de Harvard, Paul White, afirmou que “a doença do coração ou a morte antes dos 81 anos é culpa do Homem e não de Deus nem da Natureza” e enquanto se caminha na viagem da vida é fundamental e estrutural o envelhecimento ser encarado com atividade e alegria, independentemente dos momentos mais difíceis surgidos em diversas circunstâncias, procurando sempre uma vida saudável.
O envelhecimento ativo é muitas vezes mais abrangente que o saudável, pois é a estrela de muitos fatores, independentemente do género e da cultura de cada cidade e vida comunitária, que transmite uma forma do ser humano envelhecer.
A população idosa tem aumentado substancialmente, podendo duplicar em 2050, tornando Portugal um dos países da União Europeia com maior percentagem de idosos, com menor esperança de vida saudável e menor percentagem de população ativa, donde ser fundamental promover o envelhecimento ativo, através de medidas oficiais, pessoais, familiares, em sociedade, com abrangência de criatividade para um envelhecimento entrosado na sua atividade, apesar de atingir a reforma.
O conceito de velho não significa muitas vezes inatividade, mas sim a continuidade de manter o vigor com amor, com paciência, bondade, generosidade, delicadeza, entrega e sinceridade, pois assim o mundo se transformará e o futuro será melhor.
Há personalidades a nível mundial que nunca envelheceram – Indira Gandhi, Agustina Bessa-Luís ou Marie Curie-, pois viveram a vida em trabalho contínuo, politizando, escrevendo e investigando, espalhando por toda a parte o seu engenho e vivendo com visão a arte, assim como o Papa João Paulo II, que percorreu continentes, conviveu com ricos e pobres e com o seu entusiasmo distribuiu afeto e morreu repleto de obras, com sonhos e sorrisos, chegando ao fim da sua missão cheio de “juventude e amor”.
Para não envelhecer é fundamental manter viva e ardente a curiosidade, bem como manter uma contínua atividade cerebral e do pensamento com a evolução da idade, viver com intensidade cada momento, com novas ideias e projetos e sentir dia a dia o pulsar da vida, com energia permanente e revivida do passado, mas sempre renovada.
Não esqueço um amigo com quem convivi em Coimbra (1953-57), Alexandre Linhares Furtado, pioneiro do primeiro transplante renal em Portugal, que, com coragem, heroísmo e estoicismo prosseguiu com outras atividades, na área da saúde humana, salientando também o início do transplante hepático pediátrico e ainda continua a viver o envelhecimento positivo e ativo.
Não ser velho é dar valor pela vida bem vivida, lutando com os percursos mais difíceis através do caminho seguido desde a juventude até à velhice positiva, pois a longevidade vai dar vida aos seus anos, com bom intelecto, não sedentário, conservando a mentalidade da mocidade e caminhado, não fumando, sabendo beber e comendo com regras, selecionando os produtos alimentares mais adequados às diversas situações, mas principalmente matérias-primas nutritivas que dão continuidade à vida e outras que, embora possam não ser as mais apetecíveis, mas que são fundamentais à funcionalidade necessária ao nosso organismo, para um envelhecimento positivo e ativo.
Mesmo depois de deixar de exercer a missão profissional é fundamental manter uma atividade, direcionada para diversas vertentes, mas uma das mais positivas é acompanhar idosos numa vida ativa e espírito de solidariedade, lembrando um pensamento de Aristóteles “Qual é a essência da vida? Servir os outros e fazer o bem”.