S. João é o de Braga
De todos e cada um,
Divertido como ele
Não existe mais nenhum.
O povo lá vai na rusga
Na noite de São João,
De martelo, alho porro
E manjerico na mão.
Em Dia de São João
Eu fui à festa contigo,
Deste-me teu coração
E dele fui seu abrigo.
Tu me fazes recordar,
S. João, rico santinho,
A promessa que lhe fiz
De muito amor e carinho.
Naquela rusga eu entrei,
Jovem cheio d’euforia,
A contemplar, São João,
Teus lindos olhos Maria.
Tinhas luz no teu olhar,
Lindo e belo sem igual
S. João, foste o culpado,
Daquele encontro fatal.
Senti o fogo no peito
No meio da multidão,
Do braseiro ateado
Na noite de S. João
Em cuidados tu ficaste
Ó meu Santinho Batista
Mas nada havia a temer
Sob o meu ponto de vista.
Desse tão doce romance
Já meio século passou
Te estou grato São João
E muitas graças te dou.
O São João se venera
Na capelinha da Ponte,
O rio Este seus pés
E o Picoto de fronte.
Singular rio é o Este
A atravessar a cidade,
Mas sem peixes, S. João,
É sinal de mortandade
Foram águias e lagoas
Que tu viste São João
No Picoto a tod’ a hora,
Mas acabou a paixão.
Braga, senhora fina,
S. João fã dos marotos,
Elegante, bem vestida
Mas de sapatos rotos.
Lindos prédios, S. João,
Beleza dos maus anseios,
Só destoam os buracos
Pelas ruas e passeios.
Vou fazer isto e aquilo,
Diz o nosso Presidente,
Conta cá, meu São João:
É verdade ou ele mente?
Ó meu São João da Ponte,
Santinho rapioqueiro,
Com tanto brasuca em Braga
Já és quase brasileiro.
Meu rico Sanjoãozinho
Braga tem muito de seu,
E arte contemporânea-
Dentro do novo MUZEU.
Segundo diz o poeta
O mundo pula e avança
Se, S. João, estudasses
Vivias na Confiança.
De sabonetes foi fábrica
E emprego dera dantes,
Só que virou, São João,
Residência d’ estudantes.
Há muito leu São João
Um anúncio que dizia
Os bracarenses vão ter
Espetacular Ciclovia.
São João, belo santinho,
Quem te viu e quem te vê,
A apanhares o autocarro
Em vez do Bê Erre Tê.
Aquele Estádio velhinho
Que aí viste nascer
O que querem, São João,
É vê-lo desaparecer.
Se há obra começada
Algo morosa e eterna,
S. João, só pode ser
A da Circular Externa.
É tudo muito moroso
Meu São João, a tardar,
A passo de caracol
E também a nova ETAR.
Se há obra que não avança,
Promessa foram aos montes.
É, meu São João Batista,
O Parque das Sete Fontes.
Outra há que já passou
Ao rol das esquecidas
É, meu São João Batista,
A Casa das Convertidas.
Superlotada Cadeia
A de Braga, está-se a ver
Quem for preso, S. João,
Que leve cama e comer.
Uma lei foi aprovada,
Aproveite-se o clima,
S. João fá-la cumprir
No casarão Júlio Lima.
Indigno e impróprio,
Meu São João já se vê,
É o vetusto edifício
Da Esquadra PSP.
Para quando, S. João,
Quanto tempo faltará
Para vermos o quartel,
Que a GNR terá?
Meu São João este ano
Há um desejo profundo,
O de vivermos em Paz
Em Portugal e no mundo
E repenica, repenica
E repapoila também,
Adeus, S. João Batista,
Até p’ró ano que vem.