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Nunca foi tão grande este negócio!

Segundo dados recentemente divulgados, a FIFA prevê receitas superiores a 12 mil milhões de dólares no ciclo 2023-2026, um crescimento extraordinário quando comparado com os cerca de 7,6 mil milhões registados no ciclo anterior. Mais impressionante ainda é verificar que, em pouco mais de uma década, a organização aumentou exponencialmente a sua capacidade financeira. 

O segredo deste crescimento é relativamente simples. A FIFA detém um “produto” único e sem concorrência direta, o Campeonato do Mundo de Futebol. 

Num mercado global onde a procura por grandes eventos desportivos continua a crescer, a escassez de acontecimentos verdadeiramente globais aumenta o seu valor comercial. Direitos televisivos, patrocínios, hospitalidade, bilheteira e conteúdos digitais alimentam uma máquina económica sem paralelo no desporto mundial.

O Mundial deste ano será o maior de sempre, com 48 seleções nacionais e 104 jogos, sendo esperados mais de cinco milhões de espectadores nos estádios. A expansão da competição representa mais receitas, mais patrocinadores, maiores audiências e mais oportunidades comerciais. A lógica é simples, cada novo jogo representa mais valor económico.

O caso FIFA merece uma reflexão mais profunda que possa servir de inspiração a outras organizações de escala global. Muitos analistas do mundo do desporto, do futebol e da sociedade em geral consideram a organização uma referência em gestão operacional. Os seus processos financeiros, sistemas de controlo, planeamento estratégico e capacidade de execução são frequentemente comparados aos das maiores multinacionais do mundo. A FIFA funciona mais como uma empresa de entretenimento do que como uma federação desportiva internacional tradicional.

Persistem, no entanto, debates sobre o equilíbrio entre um enorme sucesso comercial e os princípios de boa governação que devem acompanhar qualquer organização com influência global. Mas, independentemente das opiniões, existe uma lição que merece ser observada por todo o setor desportivo. 

A FIFA compreendeu algo que muitas organizações do setor ainda não conseguiram entender, o valor do desporto depende cada vez mais da capacidade de criar experiências, envolver audiências globais, utilizar tecnologia, desenvolver marcas fortes e gerir profissionalmente os seus ativos. O futebol continua a ser o centro da equação, mas a gestão tornou-se tão importante como o próprio jogo.

Para países, federações, ligas e clubes, a mensagem é clara. O sucesso desportivo continuará a ser fundamental, mas o futuro dependerá cada vez mais da qualidade da gestão, da capacidade de inovação e da utilização inteligente dos recursos disponíveis. Porque, no desporto moderno, ganhar dentro do campo já não chega. É preciso também saber organizar, comunicar e criar valor fora dele.


 

Fernando Parente

Fernando Parente

22 junho 2026