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Que deuses são estes?

Será que todos os líderes do mundo são maus, egoístas ou incompetentes, que nada farão para travar moléstias, mortes e atenuar o medo individual e colectivo? Sabe-se que há homens que são filhos da tempestade e que bem se conhecem.

Fala-se na paz e a minha aldeia não a tem, porque passou a vila; a minha cidade não tem paz, porque passou a metrópole; o meu país não tem paz, porque passou a ser da União Europeia. Os campos não têm paz, as guerras actuais são mais terríveis, a arte está deprimida, as famílias são abaladas pela guerra e pelo poder das armas e, de moral, já ninguém fala.

Nestes primeiros 25 anos do século XXI, mata-se sem dó nem piedade.

A Rússia de Putin, desafiou o mundo e a Europa com a guerra. Tem este país vários milhões de mortos pela guerra que iniciou na Ucrânia e a vida económica completamente arrasada. A Europa tem sido levada na enxurrada, indirectamente, com as dúvidas de paz e com o sofrimento da perda de qualidade de vida dos povos.

Putin é perigoso. O mundo já o recusou. E embora Putin tinja de sangue o solo ucraniano e ganhe todas as batalhas, Putin, nunca ganhará esta guerra, nunca terá os ucranianos a vergarem-se-lhe e muito menos a reconhece-lo a ele e à Rússia como seus donos.

A Israel de Netanyahu, os puros, esqueceram de ser o “povo escolhido” e banalizaram os caminhos, os ensinamentos e os conselhos do Deus de Abraão, matando os outros povos. Rejeitam o diálogo em favor da paz. E como se lê em Ezequiel 2, 1-7, “são rebeldes, têm a cabeça dura e o coração obstinado”.

São rebeldes” – assim foi dito ao sacerdote e profeta Ezequiel de Jerusalém.

Recordemos o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo sepulcro, que no caminho para a celebração dominical do Domingo de Ramos, nesta Páscoa de 2026, foram impedidos de entrar para a celebração, “por razões de segurança”, afirmaram os políticos responsáveis de tal proibição.

Recordemos aquele soldado israelita que à marretada, no Sul do Líbano e no centro de uma aldeia cristã, destruiu a imagem de Jesus Cristo crucificado e outro soldado que colocou na boca da estátua da Virgem Maria, em Debel – Líbano, um cigarro aceso e que as autoridades políticas e religiosas de Israel, apena disseram que os referidos militares iriam ser julgados e castigados.

Recordemos que no dia 1 de Maio passado, as forças militares israelitas, em Yaroun, perto da fronteira com Israel, destruíram parte de um convento católico. A Superiora-geral das Irmãs da Ordem Basiliana do Santíssimo Salvador, afirmou à Associated Press, que foram bulldozers que levaram a cabo a destruição do local religioso, que incluía uma escola e uma clínica.

Para não sermos demasiado longos nestes acontecimentos que as guerras sempre proporcionam aos povos, pensemos naquela freira católica francesa, que no Monte Sião, frente ao Cenáculo, em Jerusalém, foi pontapeada por dois cidadãos judeus, quase até à morte. Valeu-lhe um grupo de cinco jovens que iam a passar e intervieram na violência contra a senhora, que simplesmente caminhava sozinha e identificada com as vestimentas da sua Ordem religiosa.

Recordemos os Estados Unidos da América, de Donald Trump, um presidente que já se põe em dúvida – no próprio país – se este homem está em condições cerebrais para continuar no poder: mete-se na guerra para acabar com ela – anunciou – num lado, e mete-se na guerra para a iniciar noutro.

A América de Trump deixou de ser quem era: líder mundial na economia, na defesa própria e de outros, na liberdade dos povos e na justiça social. A América era o país onde qualquer pessoa gostava de lá ter nascido. Trump abalroou o povo americano, tem sido o seu destruidor.

Desde 2014 que o mundo vive com medo. O poder e as armas não conhecem regras: apena e só, conhecem riqueza e fome dos mais vulneráveis.

Nestas guerras, neste Junho de 2016, uma pergunta pode inquietar-nos: quem é o deus da Rússia, da Ucrânia, de Israel e dos Estados Unidos da América? Que doutrina, que religião seguem os intervenientes desta guerra, que parece serem ideologias que não condenam a morte de seres humanos e muito menos condenam a falta de direitos do homem?

Nestas guerras deste ano de 2026, ou melhor, estes predadores da paz entre a Humanidade, escutam o Papa Leão XIV e sentem os gritos dos povos no mundo inteiro?

O mundo tem os seus líderes. Só que a maioria deles vivem vidas angustiadas, acantonados, porque desconhecem o amor, a solidariedade e o serviço. Tantos, fazem dos seus pensamentos/comportamentos, autênticos recipientes de lixo.



 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)

Artur Soares

Artur Soares

19 junho 2026