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Aumentos obscenos

Hoje escrevo sobre a proposta de aumentos obscenos dos preços dos lugares anuais do SC Braga, por discordar em absoluto do contexto global em que se pretendia implementá-los.

O atual momento de dificuldades das famílias não é compatível com esta proposta indecente, sendo também reduzido o aliciamento do ponto de vista desportivo a nível da competição europeia.

O contexto da futura centralização dos direitos televisivos poderá beneficiar o SC Braga se houver um aumento do número de lugares anuais vendidos e do número de adeptos presentes no estádio, e não se a gestão se limitar a dados martelados numa grelha de Excel para efeitos imediatos. É de fácil compreensão que eventuais ganhos resultantes destes aumentos tenderiam a desaparecer com a redução do número de lugares anuais vendidos. Pior ainda, esses ganhos seriam e são praticamente irrelevantes na contabilidade do clube, em claro contraste com o peso significativo que representam para as famílias, hoje em dificuldades devido ao contexto internacional de conflitos, que se reflete nas condições diárias de (sobre)vivência.

Esta proposta anómala de aumento de preços só poderia fazer sentido para quem acredita que a vida se resume a uma calculadora ou a dinheiro virtual revertido para o cartão de sócio (cashback). Não é assim que funciona a vida real, que vai muito além dos dados apresentados a priori para convencer quem decide. Uma má decisão, por muito bem “vendida” que seja, nunca se transforma numa boa decisão.

A deliberação coletiva de aumentar os preços dos lugares anuais não contou, infelizmente, com ninguém suficientemente lúcido para perceber que os seus efeitos seriam contraproducentes, lesando os superiores interesses do SC Braga e, sobretudo, dos seus associados, que não devem ser vistos como clientes, podendo comprometer o caminho de aproximação aos sócios que vinha a ser construído.

Felizmente, o maior património do clube, a sua massa associativa, deu mostras da força que tem, neste futebol moderno cada vez mais empresarial. A união causada pelos preços propostos e a demonstração de insatisfação forçou, e bem, o clube a alterar a sua postura. Apesar de ter acontecido ao 2º dia de renovações, a decisão peca por tardia e acontece depois de uma comunicação aos sócios completamente desfasada da realidade. No entanto, o reconhecimento do erro não deixa de merecer a sua valorização e o meu apreço.

Além da reposição dos valores, o regresso dos packs família, não com dinheiro virtual hipotético cujas condições de utilização se desconhecem, é ele sim um mecanismo de aumento de receitas de matchday, hoje e de futuro, pois cria fidelização geracional e incentiva a receita indireta. É mais provável um adepto fazer a refeição no estádio, ou adquirir produtos em loja, quando está em família ou sozinho? Parece-me óbvio.

Foi também anunciada uma Assembleia Geral Extraordinária, onde serão debatidos os estudos relativos à requalificação do estádio e onde poderão ser contextualizados possíveis aumentos de preço dos lugares anuais. Merecerá a atenção de todos os associados e espero que seja preparada tendo já em mente a situação que ocorreu nos últimos dias.

Espero agora mais uma resposta em força dos sócios, consentânea com a união vivida na reta final da época passada, que se reflita numa subida do número de lugares anuais vendidos. A palavras aos adeptos associados, sob o lema “um clube, uma cidade”.

António Costa

António Costa

18 junho 2026