As Misericórdias tiveram e têm, ao longo de séculos, uma força aglutinadora e de trabalho solidário, direcionado para a área social, desde a primeira criada pela Rainha D. Leonor, em Lisboa, em 1948 e, a partir daí, expandiram-se globalmente para diversos continentes. Contribuindo para corrigir assimetrias sociais, exercendo atividades distintas e com responsabilidades diversas, mas há entre todas um ponto comum que apraz registar: o desejo que todos temos de colaborar na construção de uma sociedade mais justa, o que exige uma atenção especial aos mais débeis, particularmente, às crianças, aos idosos e aos doentes.
É fundamental construir um Portugal mais solidário com políticas assertivas e pragmáticas, extensivas a todo o país, principalmente, ao interior do país e impedir o aumento da pobreza, pois o ser humano deve ser considerado no seu todo.
É necessário dar implemento à Economia Social, devendo as Misericórdias atuar dentro da modernidade e nas boas práticas a diferentes níveis, de forma que, com abertura, possamos criar instrumentos de cooperação na área da saúde e social, evidenciando, que o trabalho em rede entre Misericórdias e Estado traz mais valias nas áreas da gestão administrativa e financeira, implementando a Economia Social.
Em períodos de crise e não só, as Misericórdias e as IPSS, têm contribuindo para ultrapassar situações difíceis, mas é necessário que qualquer arco governativo reveja a mais-valia do seu trabalho solidário, com comparticipações estatais adequadas à sua sustentabilidade, pois no momento atual atravessam um período complexo e são fundamentais para atenuar a pobreza e equilibrar a vida das comunidades com demografia elevada, baixa natalidade e rendimentos condicionados à situação atual.
A Economia Social apoiada e devidamente estruturada pelo Estado é fundamental e deve ser encarada com medidas adaptadas à realidade atual, face à progressiva desagregação da classe média, ao aumento da pobreza, à inflação e à crise da habituação.
É fundamental pensar no Terceiro Setor, pois as Instituições de Solidariedade Social assumem nas cidades, nas vilas e no interior, o caminho da desertificação, um papel marcante, garantindo respostas de proximidade em muitos territórios onde, sem elas, milhares de pessoas ficariam desprotegidas, trabalhando em parceria com as autarquias a nível concelhio, e regional e em complementaridade com o Estado.
É fundamental que se pense com objetividade e no imediato, no conjunto Família, Idoso, Criança e Estado, para o presente e para o futuro, e que qualquer governo não pode subestimar.
É de salientar e dentro da Economia Social, a importância de algumas Misericórdias, após a nacionalização da maioria dos seus hospitais em 1975, tiveram visão e coragem, e hoje algumas são referências na área da saúde e não só, contribuindo para melhorar o Serviço Nacional de Saúde e respondendo em parceria aos constrangimentos atuais.
O crescimento da Economia Social é um cerne para a implementação de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva, pois as profundas transformações sociais, demográficas, económicas e tecnológicas, tornam-se essenciais para reforçar a cooperação entre as Instituições de Solidariedade Social, o Estado e as comunidades, promovendo respostas inovadoras, sustentáveis e centradas na pessoa humana.
O Direito à Solidariedade é um atual direito do ser humano, sendo importante no pensamento jurídico e societário europeu e português.
A Encíclica de Leão XIV Magnifica Humanitas salvaguarda a pessoa humana, apresentada no 135.º Aniversário da Rerum Novarum de Leão XIII, alertando para uma reflexão profunda sobre a Economia, a Solidariedade e a Política, onde foram estabelecidos fundamentos para a Doutrina Social da Igreja.