O preço dos microchips deixou de ser uma questão técnica reservada à indústria. É hoje um tema de soberania económica, de competitividade e autonomia estratégica para a União Europeia. A escassez vivida nos últimos anos mostrou, de forma clara, que a dependência excessiva de cadeias de abastecimento frágeis tem custos reais: produção atrasada, setores paralisados e preços mais elevados para empresas e consumidores.
Foi nesse contexto que surgiu o European Chips Act, um passo importante para reforçar o ecossistema europeu dos semicondutores. Mas a realidade evoluiu depressa e a Europa não pode ficar presa a respostas de emergência. A discussão sobre um EU Chips Act 2.0 deve ser encarada como oportunidade para corrigir fragilidades, simplificar instrumentos e dar à política industrial europeia uma verdadeira dimensão estratégica.
O que está em causa não é apenas produzir mais chips. É garantir que a Europa produz melhor, com mais previsibilidade, menos dependência externa e maior capacidade de atrair investimento. Para isso, o novo quadro europeu deve ser mais ágil, menos burocrático e mais orientado para resultados concretos.
O governo da AD em Portugal tem assumido, com coerência, que a indústria e a tecnologia são vetores centrais da competitividade nacional. As políticas de apoio à digitalização, à inovação e à atração de investimento estratégico cumprem esse caminho. O país precisa de continuar a transformar oportunidades europeias em projetos reais, com impacto no emprego e na produtividade.
No Minho, essa lógica é particularmente relevante. A região, com a sua tradição industrial forte e um tecido empresarial dinâmico, pode e deve ser um polo de produção e inovação em semicondutores e tecnologias associadas. Universidades, centros de investigação e empresas do Minho já mostram capacidade de colaboração, o que falta é garantir financiamento, coordenação e escala para projetos desta natureza.
O preço dos microchips influencia muito mais do que a tecnologia: afeta a indústria automóvel, eletrónica, saúde, defesa e toda a economia digital. Quando os semicondutores falham ou encarecem, toda a cadeia de valor sofre. A resposta europeia tem de ser séria, coordenada e de longo prazo: energia competitiva, capital humano qualificado, estabilidade regulatória e capacidade de execução são indispensáveis.
O EU Chips Act 2.0 deve ser uma política europeia moderna, orientada para a resiliência e competitividade. A Europa não pode ser apenas um grande mercado consumidor, deve afirmar-se como espaço de produção, inovação e liderança tecnológica. Portugal e o Minho podem e devem ser parte ativa dessa estratégia.
*Deputado ao Parlamento Europeu, Chefe da Delegação do PSD no Parlamento e Membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia